Aluguel Solidário 2 – Canabarro Tróis filho

A Economia é, talvez, a ciência mais inexata porque o “olho grande” se intromete. A ambição desmedida, geradora de fortunas imensamente maiores que as necessidades, é pecado de lesa-humanidade por que ergue muros, de um lado quem tem demais, de outro quem tem quase nada e se submete ou sucumbe.

A casa onde morar, só ou com a família, descansar o esqueleto da luta pela sobrevivência, nesta terra de políticos de olhos enormes… A salinha onde abrir um negocinho, uma firminha. Um lugar maior, onde abrir uma lojinha, um barzinho que seja espaço de convivência, de bate-papo fraternal. Aqui abrimos um parêntese (fora do diálogo não há salvação; e o bar é teatro preferido para nossas trocas de conhecimento, informação e afeto). Fechado o parêntese, vamos em frente. Os “sábios” da ciência mais errada assumam a obrigação de criar uma nova forma de relação locador-locatário no ramo de imóveis. Vejam, por aí, quantos espaços estão desocupados, por absoluta incapacidade financeira de possíveis locatórios. Temos, então, duplo prejuízo: uns não podem morar, abrir negócios, atividades produtivas; outros nada ganham durante tempos que, somados, são anos e anos.

Os “gênios” da Economia não viram isso? É sua obrigação criar fórmulas de felicidade coletiva. Um contrato de meio-termo, que atenda à necessidade da harmonia social. Estou com o saco cheio de “Aluga-se” nas janelas, muros, portas. Quantas iniciativas de trabalho frustradas, quanta divergência entre locador e locatário… O prejuízo mútuo deveria ser erradicado, se a ambição fosse contida. É mais “econômico” alugar por largo prazo ou toda a vida, a preços acessíveis, do que ficar com imóveis inúteis.

Bagagem

“Roupa suja se lava em casa / se for privada. / Mas, se o povo a paga, e bem, / a gente lava na calçada, / para que tenhamos conhecimento / de como somos roubados, / conduzidos como jumentos, / por minoria de safados” (O Timoneiro, 31 março 2000).