Antiga Estação abriga grupos de diversos setores artísticos

SIMONE DUTRA*

A equipe de O Timoneiro visitou na terça-feira, 10, a Antiga Estação de Trem, espaço que anteriormente sediava a Fundação Cultural, para conhecer e divulgar as atividades culturais desenvolvidas ali. Na ocasião, fomos recebidos por um grupo de mulheres representantes de cinco dos 17 grupos que movimentam cerca de 200 pessoas entre professores, artistas e alunos em diversos projetos desenvolvidos no local.

A bailarina do Art & Dança e Canoas Coletivo, Carini Pereira; Mariza Gomes, professora de Danças e Cultura Árabe; Ancila Dani Martins, tesoureira da Casa do Poeta e vice-presidente da Associação Canoense de Escritores; Sirlandia Gheller, do Grupo de Pesquisa de Artes Cênicas e integrante da Oficina de teatro Ói Nóis Aqui Traveiz e Maria Luci Cardoso Leite, presidente da Casa do Poeta de Canoas abriram as portas do casarão, que hoje é gerido por Sandra Motta, licenciada em Artes Cênicas.

A agenda de atividades traz desde de capoeira, dança, canto, teatro, oficinas, até poesia, entre outros ramos das artes. Segundo as entrevistadas, estas atividades ocorrem diariamente, muitas vezes de forma concomitante. Elas afirmam que só no mês de agosto, cerca de 1200 pessoas prestigiaram os espetáculos. São 17 grupos que ocupam o espaço e, neste caso, o termo ocupação tem um significado claro, segundo Sirlandia Gheller “A palavra ocupação não é pejorativa, e sim sinônimo de luta, pois foram sete anos de diálogo, e estes grupos permaneceram aqui unidos e reconstruíram nossa identidade”.

Hoje, a casa, que tem gerência compartilhada da Prefeitura, através da Secretaria de Cultura e Turismo, com os próprios grupos atuantes, sendo atualmente, segundo as entrevistadas, o centro cultural com maior volume de artistas e projetos em andamento na cidade.

A ocupação

A Fundação Cultural foi extinta em 2011 pelo governo do prefeito Jairo Jorge e o prédio foi posteriormente ocupado por grupos de artes até um novo acordo de funcionamento, inicialmente informal, ocorrido quase dois anos depois, após movimentos de resistência e a junção de mais de 4 mil assinaturas. Hoje, na gestão atual, há uma continuidade deste modelo.

São os próprios integrantes dos grupos que fazem a manutenção do local, desde limpeza das salas, até a recepção dos que chegam, o que muitas vezes interrompe os trabalhos. “É muito importante frisar que precisamos de infraestrutura para a apresentação dos espetáculos”, relata a bailarina Carini Pereira. “Este lugar está longe de ser abandonado, existe um respeito muito grande entre nós, nos organizamos nos horários e temos uma parceria linda”, finaliza Maria Luci Cardoso Leite.