Após operação contra o Gamp, grevistas mantêm mobilização

Concentrados em frente aos hospitais da cidade desde a quarta-feira, 5, os funcionários do sistema de Saúde do município ainda esperam uma definição sobre o atraso de salários. Os profissionais definiram paralisação, em assembleia que reuniu diversos sindicatos. Com a operação contra o Gamp, o movimento ganha novos tons de cobranças, diante da perspectiva de que a administração dos hospitais volte para a gestão direta da Prefeitura de Canoas. A paralisação é liderada pelo Sindisaúde-RS, em conjunto com Sergs, Sinttargs e Sindifars.

“Há anos nós denunciamos a péssima gestão da saúde pública em Canoas, que sistematicamente leva os trabalhadores a paralisações como essa em que estamos agora. Esperamos que a ação do MP e da polícia exponha as mazelas que o Gamp trouxe a Canoas” comenta o presidente do Sindisaúde, Arlindo Ritter.

Estêvão Finger, presidente do SERGS, também relata que o sindicato há tempos tem denunciado e combatido esse tipo de prática. “O SERGS vai continuar empenhando todos os esforços possíveis para contribuir com as investigações. Queremos que a prefeitura de Canoas assuma para si a administração direta dos serviços de saúde e a responsabilidade com os/as trabalhadores/as do município. As entidades continuarão trabalhando unidas em prol da categoria e da sociedade”, garante Estêvão.

Assembleia

Na quinta-feira, 6, ocorreu nova Assembleia Intersindical para que a categoria decida se vai aceitar ou não que o repasse de R$ 12 milhões da Prefeitura para pagar os salários atrasados, seja suficiente para encerrar o movimento grevista. Em caso de suspensão de paralisação, os sindicatos garantem que a greve pode retornar a qualquer momento, mediante novas assembleias.

“Finalmente, a máscara caiu”,  diz presidente do Simers

O Simers levou ao MPRS inúmeras denúncias feitas pelos médicos que trabalham nas unidades administradas pelo Gamp. Os promotores públicos de Canoas que participaram da operação destacaram que o início das investigações desta operação envolvendo o Gamp (Operação Megasena), deve-se às denúncias feitas pelo Simers. “Finalmente, a máscara caiu”, resume a presidente em exercício do Sindicato Médico, Maria Rita de Assis Brasil, que considera que a entidade cumpriu sua responsabilidade com a saúde e sua categoria ao levar tudo à investigação. “Hoje vemos a situação caótica da saúde, com falta de verbas, atrasos e restrição no atendimento. É lamentável que isto ocorra”, reage Maria Rita.