Beth Colombo: “Não tenho dúvidas de que teria vencido no primeiro turno”

Já passado mais de um ano desde o agitado 2016, onde Beth Colombo (PRB) e Luiz Carlos Busato (PTB) foram protagonistas nas eleições municipais, a reconhecida personalidade política de Canoas decidiu falar pela primeira vez com o jornal Timoneiro. A equipe de reportagem foi recebida na residência de Beth, que falou sem restrições sobre sua trajetória política e sobre o episódio que mais a abalou: os R$ 500 mil encontrados com o tesoureiro de sua campanha, que acabou mudando o rumo das eleições daquele ano.

Novo foco

“Foi um ano de me reinventar. Comecei uma outra trajetória, focada na minha construção na política e na minha vida”, afirma. Beth conta que, após a derrota nas eleições, iniciou uma retomada de sua vida pessoal, aproveitando mais momentos em família. Além disso, segundo Beth, 2017 foi de ambientação ao partido Republicano Brasileiro (PRB), do qual é coordenadora estadual das mulheres. “As mulheres ainda estão muito acanhadas na militância política. Elas não são protagonistas. Nosso trabalho é de mostrar que elas não só podem como devem assumir esse protagonismo”, afirma.

Candidatura

A agora republicana deixa claro que é pré-candidata a deputada estadual, mas afirma que não mistura as coisas e que esse não foi seu foco em 2017. “O PRB terá uma nominata própria. Vou me concentrar possivelmente em Canoas e claro que buscar algumas parcerias pelo interior”.

Início

Com 64 anos, Beth conta que sua trajetória política iniciou quando tinha 12. A primeira experiência eleitoral ocorreu quando disputou e venceu o pleito para a presidência do grêmio estudantil da escola onde estudava, no colégio São Paulo: “Ali eu comecei a viver a política estudantil, nesse tempo eu encontrei lideranças dentro da união nacional dos estudantes e me filiei ao partido Arena (atual PP) com 18 anos. Sai de lá há dois anos, para ingressar no PRB”.

Jairo Jorge

A identificação com o ex-prefeito de Canoas, Jairo Jorge (PDT), continua forte. Para Beth, o governo do qual foi vice, “foi revolucionário para a cidade”. Mesmo admitindo que ainda há problemas sérios, Colombo ressalta que a cidade cresceu nesse período: “Não tem como as pessoas negarem. Nega quem tem diferenças políticas. Em sã consciência, não se pode deixar de enxergar a evolução e crescimento da cidade”. Ela ainda ressalta a relação com Jairo Jorge: “Fui parceira do Jairo em todos os sentidos. Passamos oito anos com uma relação fraterna. Esses oito anos de governo me deram um irmão”, completa.

Busato

Mesmo com diferenças políticas, levadas praticamente ao limite durante as eleições, Beth afirma que mantém carinho e admiração pessoal “muito grande” pelo atual prefeito Luiz Carlos Busato. A ex-vice-prefeita conta que já esteve no gabinete de Busato para uma conversa, mas afirma que a relação entre eles chega apenas até aí, já que, segundo ela, as feridas do processo da campanha eleitoral ainda doem.

R$ 500 mil

O episódio dos R$ 500 mil, destacado nas últimas edições do jornal Timoneiro como grande fato das eleições de 2016, foi, para Beth Colombo, a âncora de sua derrota: “Eu não tenho dúvidas de que, se não fosse isso, eu teria vencido no primeiro turno. Se o pleito terminasse antes desse episódio, teria vencido”, afirma. Ela também destaca que o assunto não foi bem tratado pela imprensa: “o tesoureiro foi pego com recursos que estavam com ele. Não foi no comitê ou na minha casa como foi dito em diversos lugares. Foi com ele, na mochila dele”. Ela também atribui sua derrota à forma como esse fato foi usado pela oposição durante a campanha: “Também atribuo à calúnia, com carros de som pela cidade dizendo que eu havia roubado dinheiro do IPTU. As pessoas ficaram decepcionadas, frustradas, e me diziam – mas dona Beth, a senhora nos decepcionou, por que a senhora fez isso? – Eu respondia – Eu não fiz isso! Eu não peguei dinheiro, sequer sei desse dinheiro”. Colombo ainda afirma que não sabe o que aconteceu, pois estava focada na campanha nas ruas, atrás de votos: “Tu pode ter certeza. Sei que parece muito estranho, mas eu não sei. O tesoureiro tinha autonomia já que era da maior confiança da coordenação da campanha. Eu sinceramente não sei o que aconteceu”. Em tom de arrependimento, Beth afirma que, se pudesse dar um conselho para si mesma, diria: “cuida mais, também, do que é o jurídico da tua campanha”.