Centenário de nascimento de Sezefredo Azambuja Vieira

Sezefredo Azambuja Vieira. Foto: arquivo pessoal

Em pé, Sezefredo Azambuja Vieira. Foto: arquivo pessoal

Por Émerson Vasconcelos
@emerson_rs

A pesquisa recente que nossa equipe de reportagem realizou para a produção do caderno especial de 50 anos de OT, que será veiculado na próxima semana, se deu em grande parte na Biblioteca Pública Municipal João Palma da Silva. A busca por informações neste espaço só é possível porque ele foi criado pela Lei n° 592, de 22 de agosto de 1959, durante a gestão do prefeito Sezefredo Azambuja Vieira. Aliás, qualquer pessoa que visite a biblioteca percebe que no mesmo prédio funciona o Arquivo Público Municipal, que é batizado com o mesmo nome do fundador da biblioteca.

Sezefredo, que teria completado 100 anos de idade no último dia 18, foi um dos mais importantes prefeitos de Canoas e teve uma vida pública marcada pela luta em prol da cidade que adotou como sua. Reconhecido como uma grande personalidade do Município, em 1994, a Prefeitura homenageou seu legado com a publicação do livro “Perfis Canoenses 1 – Sezefredo Azambuja Vieira”. Logo na abertura, a publicação define a sua importância: “Dr. Sezefredo, durante sua vida , foi uma pessoa preocupada com os aspectos de urbanização e humanização de nossa cidade. Além de suas atividades como advogado, administrador público e político, também marcou passagem pela história de Canoas, identificando-se com entidades histórico-culturais, como o Arquivo Histórico e Museu do Município, cujo acervo contribuiu para enriquecer”.

Origem

Natural de São Francisco de Assis, Sezefredo nasceu no dia 18 de julho de 1916, foi o segundo dos cinco filhos do casal Anatalício Domingues Fortes Vieira e Firmina Azambuja Vieira. Desde muito cedo se mostrou brilhante nos estudos. Aos 13 anos ingressou como aluno interno no Ginásio Estadual Santa Maria, na cidade de mesmo nome. Aos 18 anos, matriculou-se na Faculdade de Direito da Universidade de Porto Alegre, hoje Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS).

Em setembro de 1939, já membro ativista do Partido Integralista, foi perseguido e preso pelo governo do Estado Novo de Getúlio Vargas. Ficou detido até março de 1940. Após os meses de prisão, retomou os estudos e formou-se na faculdade em 1941. Logo depois, foi novamente preso, contraiu tuberculose e perdeu um pulmão. Mesmo assim, conseguiu se recuperar e voltar a trabalhar.

Aniversario de 70 anos, com a esposa Zeferina e os casais de Antônio Canabarro Tróis filho e Nilo Del Cueto Reis. Foto: arquivo pessoal

Aniversario de 70 anos, com a esposa Zeferina e os casais de Antônio Canabarro Tróis filho e Nilo Del Cueto Reis. Foto: arquivo pessoal

Chegada na cidade

Já atuando na área jurídica e nesta época membro da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), Sezefredo mudou-se para a recém emancipada Canoas. A partir de então, exerceu uma forte atividade como advogado na cidade.

Esposa e filhos

Em 1946, casou-se com Zeferina Resende Vieira e teve três filhos, Cláudio, Flávio e Ana Lúcia. Zeferina muito tentou que o marido não ingressasse na política, por considerá-lo uma pessoa muito sensível. No entanto, de nada adiantou, ele aparentemente havia nascido para aquele caminho.

Atuação política

Candidato a deputado estadual pelo Partido da Representação Popular (PRP) em 1947, ficou como suplente até 1950, quando ingressou no cargo. Nesta época, fez um marcante discurso na Assembleia Legislativa, em defesa de Canoas, a cidade que já havia adotado como sua. Definiu, nesta fala, com um de seus vários discursos memoráveis, a cidade como: “o desaguadouro dos excessos demográficos da Capital do Estado”. Em 1957 candidatou-se à Prefeitura, mas não chegou ao cargo. No entanto, no pleito seguinte, conseguiu se tornar o prefeito, tendo Hugo Simões Lagranha como seu vice. O mandato durou de 1956 a 1959.

No período como prefeito, Sezefredo remodelou o cenário da cidade. Abriu novas ruas, construiu praças, deu atenção às vilas operárias e atraiu novas indústrias. Na área cultural demonstrava preocupação constante e elaborou um ensaio político-administrativo com o objetivo de estimular e consolidar o espírito comunitário na sociedade canoense. Após o mandato de prefeito, foi ainda vereador por dois anos, eleito em 1959 com 1.080 votos, como o segundo vereador mais votado do pleito. Renunciou ao mandato quando teve negado um pedido de reunião para apurar uma denúncia de estelionato que teria sido praticado por um colega de Câmara.

Faleceu em 2 de fevereiro de 1993, deixando saudades em familiares, amigos e em toda a sociedade canoense.