Cidade registra 115 homicídios em 2017

O combate ao tráfico de drogas tem sido uma tarefa complicada em escala global e Canoas não foge desta lógica. Aqui, mais de 90% dos casos de homicídios registrados em 2017 tiveram alguma relação com o problema. Para saber mais detalhes sobre essa porcentagem, o jornal Timoneiro conversou, na última quarta-feira, 10, com o delegado titular da Delegacia de Homicídios e Proteção à Pessoa de Canoas (DHPP), Luis Antonio Firmino.

Firmino

“Posso afirmar sem medo de errar, mais de 90% dos homicídios do ano passado tem a ver com o tráfico de drogas. Ou pela disputa de pontos de tráfico, ou pela cobrança de dívidas com relação ao tráfico”, explica o policial. Ainda, segundo Firmino, os números continuam em um patamar alto para a cidade.

Tráfico

Já que os homicídios e o tráfico estão muito ligados, o titular afirma que a DHPP tem trabalhado em conjunto com as demais delegacias da região. “Estamos em constante diálogo com os policiais dos outros distritos, para entender melhor a dinâmica desses casos”, conta Luis. A delegacia conta atualmente com 15 policiais responsáveis pelas investigações.

Dificuldade

Questionado sobre a dificuldade de investigação dos casos relacionados ao tráfico, Firmino comenta que esse tipo de ocorrência acontece em regiões de pior acesso e condições de trabalho. “Não temos a ajuda de câmeras de vigilância e as pessoas têm receio de prestar qualquer informação com medo de represálias. Elas não têm segurança nem dentro da própria casa, onde os marginais conseguem facilmente invadir. Nessas regiões acaba imperando a lei do silêncio, tornando mais difícil a investigação”, relata o delgado.

Planejamento

“A ideia, para 2018, é diminuir esses números”, afirma Luis Antonio Firmino. Ele conta que assumiu o cargo em maio de 2017 e que, até agora, estava ainda se apropriando sobre a dinâmica da cidade: “Agora já decorrido esse período, com maior conhecimento e chegada de policiais novos no final do ano passado, a perspectiva é de que nesse primeiro semestre tenhamos um número maior de elucidações dos casos que vierem a acontecer. Temos uma taxa de 60 a 70% dos casos resolvidos, que varia um pouco. Em 2018 queremos superar os 70%”, completa.

Menos latrocínios

Se os números de homicídios preocupam, o de latrocínios são motivos de alívio para os órgãos de segurança pública da cidade. O destaque fica para a não ocorrência de latrocínios no município, crime que caracteriza o roubo seguido de morte. “Este é um delito bárbaro que choca a sociedade. Um crime cruel, que desestabiliza as famílias. Não ter ocorrido esse tipo de violência na cidade é motivo de comemoração para a Segurança Pública de Canoas”, salienta o titular da Secretaria Municipal da Segurança Pública e Cidadania (SMSPC), Ranolfo Vieira Júnior. Além disso, houve também redução nos casos de furtos e roubos de veículos. Até 15 de dezembro, foram 190 casos de furtos de veículos a menos do que em 2016, representando uma queda de 21%. Já nos roubos de veículos, o percentual chega a ser 14% menor, com 148 ocorrências a menos.