Cirurgia de menina com escoliose é adiada novamente

Raio X da menina revela curvatura de 72 graus na coluna vertebral

Raio X da menina revela curvatura de 72 graus na coluna vertebral

Bruno Lara

Em julho, O Timoneiro mostrou o desespero de Mariana Cardoso, 14 anos, que sofre de escoliose. Desde os 10 anos reclamando de dor, a menina descobriu no último ano que sua coluna vertebral apresenta 72 graus de curvatura. O secretário municipal de saúde, Marcelo Bósio, se fez presente nos estúdios da Rádio O Timoneiro para explicar a dificuldade na marcação de consultas com especialistas ou cirurgias, mas a situação voltou a se repetir.
Aparentemente com a situação resolvida, a mãe Adriana Cardoso, que largou o emprego para cuidar da filha, estava aguardando a internação da filha nos Hospital Universitário (HU), agendada para quarta-feira, 2, quando recebeu ligação da Prefeitura, por volta das 15 horas, informando que não seria mais possível. Segundo ela, a cirurgia não seria mais possível por falta de anestesia. “Minha filha já esta apavorada. Pensou que ia ser feito já. Agora eles mudam tudo”, reclama.
Adriana informou que a internação foi remarcada para quinta-feira, 10, mas não há certeza. O mesmo servidor ficou de ligar na segunda-feira, 7, feriado alusivo a Independência do Brasil, para confirmar. “Ela já estava prepara psicologicamente para fazer a cirurgia. E agora o que eu faço?”, questiona a mãe.
No estúdio da rádio OT, Bósio deu ênfase ao caso não ser comum. Para o secretário, o município precisa se preparar para atender casos de média complexidade e não de alta complexidade, delegando estes casos para Porto Alegre. Ele revelou que o objetivo não é atender todos os casos. “Nós não temos uma estrutura (No HU), e nem é esse o objetivo de ter, que atenda 100% dos casos encaminhados”, afirmou.

Relembre o caso
Adriana procurou o jornal para expor a situação da filha. A curvatura da coluna era de 60 graus em junho de 2014. Em julho deste ano, a curvatura já está em 72 graus. “Os órgãos vitais estão sendo pressionados, fazendo com que ela corra risco de morte. A SAÚDE desse ESTADO está matando minha filha, estou perdendo minha filha”, afirmava Adriana em e-mail.
O boletim de atendimento datado em 13 de novembro de 2014, por volta das 11 horas da manhã no Hospital Universitário, revelava que algo de errado estava ocorrendo. O documento falava sobre a dificuldade de agendar cirurgia devido à necessidade de material específico para cirurgia não existente no espaço. “1. RX. Adequado; 2. Mesa radiotransparente adequada; 3. Monitorização eletrofiologica; 4. Suporte anestésico adequado”, termina recomendando o retorno da paciente em 45 dias. “Os médicos me disseram que ela pode ficar tetraplégica ou ir ao óbito se a curvatura chegar aos 80°. Falaram isso na minha cara e na dela também”, reclama Adriana.
No dia 12 de janeiro de 2016, Mariana estará debutando. “O presente que eu queria dar é fazer a cirurgia. Endireitar a coluna dela. Endireitar a nossa vida”, desabafa Adriana, temendo que não haverá tempo para isso. A paciente só pede ao poder público que possa realizar o procedimento. “Eu quero fazer a cirurgia logo”, complementa a menor.

Menina está evadindo da escola por sentir vergonha de sua aparência. Foto: Divulgação

Menina está evadindo da escola por sentir vergonha de sua aparência. Foto: Divulgação

SIMERS denunciou HU
O Sindicato Médico do Rio Grande do Sul (Simers) pediu, em audiência na quinta-feira, 30, no Ministério Público de Canoas, providências diante das más condições de trabalho enfrentadas pelos médicos do Hospital Universitário da cidade. O diretor do SIMERS, Jorge Eltz, relatou ao promotor Marcelo Dossena Lopes dos Santos a desativação de leitos e de parte dos blocos cirúrgicos.
Em abril passado, foi fechada metade do número de blocos, com consequente aumento na fila de espera pelos procedimentos. O fechamento de todo o 7º andar e de uma ala inteira da Unidade de Terapia Intensiva (UTI) também provocou mais restrição de vagas na internação. “É uma clara redução da assistência médica à população de Canoas e região”, apontou Eltz. “Uma situação bastante difícil para os pacientes e trabalhadores do hospital”, concluiu o dirigente.
Os profissionais que permanecem trabalhando já receberam os salários de junho atrasados e temem que os atrasos virem rotina. Na avaliação do sindicato, os problemas são reflexo da falta de repasses de verbas ao hospital, que é gerido pelo Sistema de Saúde Mãe de Deus. O SIMERS encaminhará mais informações sobre a situação no HU, solicitadas pelo promotor, que avaliará medidas judiciais.

O que diz a Prefeitura
“O Hospital Universitário teve a necessidade de uso do Bloco Cirúrgico por agravamentos de saúde de pacientes internados. Como a cirurgia da Mariana dura, em média, dez horas, teve que ser remarcada para a próxima quinta-feira, 10, com a internação prevista para o dia anterior, 09. Aproveitamos para informar que as outras salas cirúrgicas são retaguarda para o HPSC (fraturas graves)”, informou.