Com atraso de salários e falta de materiais e medicamentos, Saúde continua em crise

Em meio à crise no sistema de Saúde de Canoas, que teve restrições de atendimentos na última semana, chegam mais indicativos de que a situação só tende a piorar. Sindicatos de diversas categorias realizam movimentos com probabilidade de greve e denunciam salários atrasados, falta de equipamentos, materiais de trabalho e insumos. Prefeitura afirma que a crise é causada por atraso de repasses do Governo do Estado.

Movimento

Foi realizada, na noite de quinta-feira, 29, Assembleia Intersindical de trabalhadores/as da área da saúde, que trabalham no Grupo de Apoio à Medicina Preventiva e à Saúde Pública (Gamp) e na Associação Beneficente de Canoas (ABC). A reunião é o primeiro passo entre os termos legais que devem ser seguidos pelas entidades para uma possível paralisação.

Na terça, 27, o Sindicato dos Enfermeiros no Estado do RS (Sergs) e demais sindicatos que representam trabalhadores do Gamp, estiveram no Tribunal de Contas do Estado (TCE) e Ministério Público de Contas (MPC), para entregar ofício ao procurador-geral, Geraldo Costa da Camino. No texto, eles solicitaram que sejam apuradas supostas irregularidades na gestão dos recursos públicos.

Contradição

O Sergs ainda apontou ao Tribunal de Contas que verificou contradição nos valores informados pelo Gamp e pela prefeitura de Canoas nos seus contratos. “O primeiro diz que falta R$ 128 milhões de repasse da Prefeitura, enquanto a administração municipal fala que há problema de má gestão dos recursos. Além disso, existe divergência entre município e Gamp sobre o valor mensal repassado pela Prefeitura. Ainda não existe transparência quanto ao recurso público”, afirma o sindicato.

Simers

O Sindicato Médico do RS (Simers) afirma que médicos do Hospital Universitário (HU) denunciaram, na quinta-feira, 29, falta de medicamentos, materiais, roupas e alimentos no centro obstétrico da instituição.  Segundo o Simers, os medicamentos que faltam para o atendimento dos pacientes são: Misoprostol (em falta há duas semanas), vaselina, Escopolamina, Dimeticona, Tylex, soro glico-fisio, assim como seringas, sulfato ferroso, e fio Vicryl, destinado a suturas.  Além disso, o hospital está com falta de alimentos, roupas e Equipamentos de Proteção Individual (EPIs), como avental plástico e mangas plásticas.

“Com toda a crise que já existe na saúde em Canoas, com os demais hospitais do Município, que enfrentam dificuldades para atender à população, a restrição dos atendimentos no centro obstétrico do HU, causado pelo desabastecimento, deve ampliar o caos existente. Precisamos de medidas imediatas”, destaca a diretora do Simers Clarissa Bassin.

Ainda, o sindicato afirma que a responsabilização do Governo do Estado pela falta de repasses de valores para o hospital não encontra eco entre os médicos. “Somos funcionários do HU e quem assina nossa carteira é o Gamp, e não a Prefeitura de Canoas ou o Governo do Estado. Sendo assim, não dependemos de repasses para receber nosso salário”, exigem os profissionais.

Protesto HU

Na última quarta-feira, 28, o Hospital Universitário (HU) recebeu um protesto de trabalhadores da saúde, convocado pela prefeitura de Canoas, para cobrar os repasses do Governo do Estado que estão atrasados. De acordo com a atual gestão, o município não recebeu R$ 37 milhões para o custeio de hospitais, UPAs e da rede de Atenção Básica. O movimento, intitulado Unidos pela vida, reuniu cerca de 300 pessoas e cobrou do governo estadual a quitação da dívida com o município para o restabelecimento dos atendimentos. A secretária da Saúde de Canoas, Rosa Groenwald, que liderou o grupo, destacou a necessidade da união de esforços das categorias profissionais para buscar junto ao governo estadual os valores em atraso. “Nós temos sido transparentes em todos os momentos, desta vez não será diferente. Estamos buscando aliar todos os profissionais, que compartilham essa situação de caos, para formar um grande grupo de luta. Um grupo para pressionar o Estado”, disse.