Dia das Mães: Amor de Mãe e a expectativa do comércio

MONIQUE LEOTE MENDES*

As festividades e rituais em homenagem à maternidade e fertilidade são muito mais antigas do que imaginamos. Desde a antiguidade e Idade Média já havia diversos tipos de manifestações que exaltavam a mulher. O Dia das Mães, com comemoração em todo o segundo domingo de maio, tem a história associada com a americana Anna Jarvis. Em 1905, a mãe de Anna morreu e as amigas preocupadas com sua tristeza organizaram uma festa para eternizar o dia e acalentá-la. A americana gostou da celebração e ajudou a estender a homenagem a todas as mães.  A data foi oficializada em 1914 e continua sendo um momento de comemorar e exaltar a importância de ser mãe. Ela traz à tona diversos sentimentos especiais e provoca situações de carinho e afeto.

Assim como o Dia das Mães tem sua história, cada mãe tem a sua. Algumas são exemplos de superação e força, outras nos dão uma aula de amor incondicional ao próximo. O jornal Timoneiro conversou com algumas mães canoenses que compartilharam suas histórias e mostraram que, independente de data, ser Mãe é descobrir o sentido da vida.

 

Angela Ourique
“Ser mãe é como ganhar um presente”

Num certo dia, bate à porta da canoense Sueli de Jesus Ourique, uma mulher carregando uma menina com três meses de idade. Naquele momento, a maternidade aconteceu na sua vida e ela aceitou seu maior presente: sua filha. Sueli não podia ter filhos e já havia enfrentado um episódio triste ao tentar adotar uma criança. A Angela chegou num momento importante e encheu a casa de alegria.

Os anos passaram e a filha de Sueli também não havia tido filhos.  Aos 39 anos,  a Angela Ourique descobriu um Mioma intramural com risco de perder o útero. “Achei que iria passar pela mesma situação da minha mãe adotiva”, conta ela.

Angela estava num relacionamento de um ano. Conversou com seu companheiro e assumiu os riscos da gravidez. Aos 40 anos nasceu a Fernanda, sua única filha. “Toda minha gravidez foi difícil, o Mioma poderia ter empurrado a Fernanda, mas nada de ruim aconteceu. Eu fui um presente para minha mãe e me dei a Fernanda de presente. Tenho orgulho da minha decisão naquele momento”, relata.

 

Grasiela Mauer
“Ser mãe é um dom divino, e uma prova de amor incondicional.”

A Psicopedagoga Grasiela Mauer sempre gostou de crianças. Ela teve um relacionamento que iniciou na adolescência e durou muitos anos. Mas, eles se separaram e não chegaram a ter filhos. Anos depois voltaram a se encontrar, mas não reataram em seguida. “Ele sempre foi meu maior amor e nunca o esqueci”. Os encontros continuaram e, aos 26 anos, descobriram a gravidez. Segundo ela, a felicidade se misturou ao medo de enfrentar a situação, pois não estava num relacionamento com o pai da sua filha. “Independente se ficássemos juntos ou não, a Sarah já era minha maior alegria e fruto do amor que eu sentia por ele”, relata.

A gravidez foi difícil como esperava, mas ela superou e enfrentou todos os obstáculos por amor à filha. Ela retomou o relacionamento com o pai da Sarah após o nascimento da filha. E hoje, para a alegria da família e da própria Sarah, que sempre quis um irmão, a Grasiela está grávida de 12 semanas de seu segundo filho. “Ser mãe é um dom divino, e uma prova de amor incondicional. Tu te torna mais forte e mais humano quando se torna mãe”.

 

Odete Santos Alves
“Meu talento é cuidar dos filhos e netos”

A dona de casa Odete Santos Alves tem 75 anos de idade e é mãe de cinco filhos: três homens e duas mulheres. Ela é também avó de oito netos: cinco meninos e três meninas. A peculiaridade desta mãe e avó é de querer ter todos por perto diariamente. Ela diz que seu talento é cuidar dos filhos e netos. “Meus filhos ficam aqui todos os dias. Meus netos sou eu quem cuida com muito gosto, isso é felicidade verdadeira pra mim. Não existe coisa melhor neste mundo do que ter a família reunida, unida e convivendo com alegria”, diz.

A energia extra para cuidar de todos vem da parceria que tem com o marido Valdomiro Alves. No dia 18 de maio eles comemoram 50 anos de casados. “Eu comemoro o Dia das Mães neste domingo, mas a festa vai se estender até o dia 18, data do nosso aniversário de casamento”, conta.

 

Viviane Lencina
“Adotar um filho é aceitar ele da forma que ele é e amá-lo do que jeitinho que chegou para nós.”

A canoense Viviane Lencina estava casada há vários anos e desejava muito ser mãe. Depois de diversas tentativas ela e seu marido decidiram desistir de esperar pelo filho biológico e resolveram adotar.

“Foi difícil tomar essa decisão, pois sabíamos o quanto seria complicado tudo que envolve esse processo. Mas estávamos decididos a ter nosso filho independente de idade ou cor da pele”, relembra.

Eles encaminharam os papéis via judicial, participaram de entrevistas, habilitação. Até que finalmente chegou o dia de conhecer seu filho. Viviane olhou a foto e era a Mariana, na época com quase 10 anos de idade.

“Foram três semanas até conhecer ela e a ansiedade foi enorme. Não quisemos saber histórico, só queríamos trazê-la para casa”.

Quando finalmente o encontro ocorreu, foi amor à primeira vista. “Adotar um filho é aceitar ele da forma que ele é e amá-lo do que jeitinho que chegou para nós. Um amor que não nasce na gestação, mas no olhar, na convivência”, conclui.

Comerciantes apostam em compras com respeito e qualidade para a data

O Dia das Mães, comemorado no próximo domingo, 13, é, para o comércio, a segunda data com maior volume de vendas, perdendo apenas para o Natal. Segundo o vice-presidente da Federação do Comércio de Bens e de Serviços do Estado do Rio Grande do Sul (Fecomércio-RS), Itamar Tadeu Barboza da Silva, estima-se que o consumo deste ano seja de 2% a 5% maior em relação ao ano passado.

Mas, para Tadeu, tanto para a Fecomércio-RS, como para a Sindilojas de Canoas, a expectativa é de que se busque, especialmente neste dia, por se tratar de um momento representativo para as famílias, mais qualidade nos produtos ofertados e mais respeito e responsabilidade por parte dos atendentes das lojas e comércio em geral.

De acordo com o presidente da CDL Canoas, Marcos Negrini, os lojistas registram pequena baixa na procura antecipada para a data. Consumidores estão deixando para comprar o presente mais perto da data, conforme aponta a pesquisa realizada pela AGV – Associação Gaúcha para Desenvolvimento do Varejo: “A véspera do Dia das Mães e o frio animam os empresários”.

Feira das Mães
A Feira das Mães da Economia Solidária, tradicional feira relativa à data, iniciou nesta terça-feira, 8, na Rua Tiradentes, no Centro de Canoas, entre 9h e 19h, e se estende até sábado, dia 12. Neste ano, o evento conta com 45 grupos de artesãs e 10 bancas de alimentação. Entre os produtos comercializados estão artesanatos, orquidário, pães, bolachas, cucas, temperos naturais, entre outros.