Em meio à transição administrativa, HNSG tem impasse com sindicato

O Hospital Nossa Senhora das Graças (HNSG), gerido pela associação Beneficente de Canoas (ABC), passa por uma transição administrativa que pode culminar com a chegada de um novo gestor: a Sociedade Sulina Divina Providência. As negociações ocorrem com mediação do Ministério Público Estadual e são vistas como uma esperança de recuperação da instituição. Em meio a este processo, os problemas do Gracinha não param. O Sindicato Médico do Rio Grande do Sul (Simers) divulgou nota afirmando que os médicos da instituição decidiram paralisar as atividades a partir da quinta-feira, 20, devido a atraso de pagamentos, que somam o equivalente a um ano de vencimentos para alguns profissionais.

Simers

De acordo com o sindicato, representantes do hospital haviam acenado com a possibilidade de quitar parte da dívida referente a um mês de trabalho, mas voltaram atrás, afirmando que a instituição não obteve linha de crédito junto ao banco e por isso não tem como efetuar o pagamento. Diante disso, o Simers divulgou uma suspensão de atendimentos ambulatoriais e eletivos por tempo indeterminado, com a manutenção apenas de casos de urgência e emergência. De acordo com Marco Antônio Figueiró, diretor técnico do Graças, os setores citados pelo sindicato funcionaram normalmente durante a última quinta-feira, 20. Ele ainda afirma que diversos profissionais adiantaram que não suspenderiam atividades, mesmo com a notificação emitida pelo Simers.

Transição

Em reunião na comarca do Ministério Público Estadual em Canoas, na sexta-feira, 14, foi formalizado o protocolo de intenções da Sociedade Sulina Divina Providência em assumir a gestão plena do Hospital Nossa Senhora das Graças (HSNG). Se todas as etapas seguintes do processo de transição forem realizadas normalmente, o grupo deve assumir a administração do hospital em janeiro. Na próxima semana, será assinado, por parte da Prefeitura, do Grupo ABC e do Divina Providência, um memorando de intenções. O documento irá estabelecer um cronograma para a conclusão do plano operativo e contrato. Nesse período, será discutida a forma como ocorrerá a transição e os detalhes da montagem do contrato. Para a Prefeitura, a etapa de montagem dos termos de contrato é fundamental para definir qual será a atuação de cada ente envolvido no processo. “Com a concordância da ABC em dar lugar a uma gestão profissionalizada, podemos ficar seguros de que o Gracinha irá se reorganizar e voltar a atender com qualidade a todos os pacientes que precisam dos serviços de saúde. Essa conquista, negociada dentro do Ministério Público, é uma grande notícia para a cidade”, afirmou o prefeito de Canoas, Luiz Carlos Busato (PTB).

Gamp

Além do Graças, os outros dois hospitais da cidade, HU e HPSC, também seguem em crise. Antes geridos pelo Grupo de Apoio à Medicina Preventiva e à Saúde Pública (Gamp), agora os hospitais estão sob comando do município. Os funcionários das duas instituições continuam sua mobilização por conta do atraso de pagamentos e de acertos trabalhistas. De acordo com o Sindisaúde, se pelo menos o 13º não for pago, a greve nos hospitais pode voltar já a partir desta sexta-feira, 21. “Caso isso aconteça, cruzam os braços os funcionários do setor de enfermagem (enfermeiros e técnicos), além de farmacêuticos, radiologistas e demais profissionais de nível médio e técnico que atuam nas instituições de saúde que eram administradas pelo Gamp”, afirma a nota divulgada pelos sindicalistas.

Câmara

A situação das unidades de saúde que eram administradas pelo Grupo de Apoio a Medicina Preventiva e à Saúde Pública (Gamp) foi relatada na Câmara, durante a sessão da quinta-feira, 13, pelo interventor nomeado pela Prefeitura, procurador Francisco de Paula Figueiredo.

Ele enfatizou que a maior dificuldade é financeira, lembrando que o atraso dos repasses estaduais já soma R$ 45 milhões. O procurador ressaltou ainda que não foi possível movimentar as contas do Gamp até o momento, mas alertou: “Mesmo que pudesse movimentá-las, elas estão zeradas”.