Envolta em escândalos do lixo, Mecanicapina volta à cidade

A empresa Mecanicapina, que já foi destaque em diversas ocasiões no jornal Timoneiro, devido a problemas na Justiça, volta a atuar em Canoas com dois contratos de 180 dias de prestação de serviços. Os valores ultrapassam R$ 6 milhões para coleta e transporte de resíduos sólidos domiciliares até o aterro Guajuviras e/ou unidade de transbordo. Também está prevista, dentro deste valor, a coleta conteinerizada e transporte dos resíduos sólidos até a unidade de transbordo no aterro Guajuviras. A Mecanicapina realiza os serviços contratados desde o dia 15 de dezembro.

Problemas

A empresa Vital Engenharia Ambiental era a responsável pelo recolhimento do lixo desde junho de 2017. Em contrato similar, vencido no dia 14 de dezembro, a organização, segundo a Prefeitura, não cumpriu o estabelecido no último dia, gerando transtorno entre a população. “A empresa prestou serviço normalmente somente até o meio-dia, na parte da tarde deixaram de recolher em diversos pontos do Município. Assim, o problema (fato isolado de uma tarde sem recolhimento em alguns locais) se deu pelo encerramento do contrato, onde a empresa não cumpriu até o final do dia”, relata a Prefeitura, em nota.

Multa

Ainda, segundo a atual gestão, o fiscal do contrato estuda a penalizar a empresa devido ao problema. “Entendemos ser correto penalizar a empresa pelo não cumprimento no último dia, deixando a cidade sem coleta sem justo motivo e também não houve comunicação para a Secretaria Municipal de Serviços Urbanos (SMSU) de que não trabalhariam na última tarde e noite, não nos permitindo assim, nos organizarmos a tempo para não deixar ocorrer o que aconteceu”, completa a nota.

Histórico

Em 2015, a Promotoria de Justiça Especializada Criminal de Porto Alegre cumpriu 18 mandados de busca e apreensão e sete de prisão preventiva. Batizada de Operação Conexion, a ação foi desencadeada a partir de denuncias da existência de um cartel formado por empresas do ramo de coleta de lixo. A investigação durou sete meses com interceptações telefônicas que comprovaram o esquema criminoso que visava eliminar o caráter competitivo que norteia os certames. Entre as empresas citadas estava a Mecanicapina. Na época, em nota, a empresa afirmou que “jamais compactuou com qualquer tipo de ilicitudes” e que “irá empreender todas as medidas cabíveis para que a verdade dos fatos prevaleça”.

Em 2016, o governo de Jairo Jorge rompeu contrato com a empresa Revita, depois de vários dias nos quais a coleta deixou de ser realizada na cidade. Na ocasião, foi contratada sem licitação e em caráter emergencial a Mecanicapina. No dia 16 de outubro de 2017 o Ministério Público Estadual realizou buscas na Secretaria Municipal de Serviços Urbanos, referente ao contrato firmado com a empresa.