“Há uma crise enorme na Segurança Pública”

Já foi destaque nas últimas edições do Jornal O Timoneiro a situação difícil pela qual passa a Segurança Pública no Estado. Em Canoas a situação se agrava, já que o município é centralizador de atendimentos a ocorrências na região. A Delegacia de Polícia de Pronto Atendimento (DPPA) sofre com superlotação de presos, além de falta de estrutura. Somado a esse panorama, o pagamento dos funcionários estaduais estava atrasado, o que gerou uma Greve Geral da categoria desde a última segunda-feira, 9 de outubro.

Ugeirm – Sindicato

De acordo com Isaac Ortiz, presidente do Sindicato dos Escrivães, Inspetores e Investigadores de Polícia – RS (Ugeirm – Sindicato), “há uma crise enorme na segurança pública”. Para ele, a sensação de insegurança nas ruas é uma realidade que se mantém no Estado. “O governo não reconhece isso, é uma indignação muito grande”, completa. Ortiz afirma que os servidores têm se mobilizado e pretendem manter a greve até o dia 17 de outubro. Porém, o anúncio do Governo do Estado na última quarta-feira, 11, informando o pagamento dos salários de todos os servidores que ganham até R$ 10 mil até a sexta-feira, 13 de outubro, pode adiantar o fim da paralisação. O sindicalista ainda destaca que esse não é o único ponto de cobranças. A superlotação nas delegacias também é umas das reclamações dos servidores: “Se estabeleceu um caos. Faltam condições de trabalho, de estrutura e vivemos com insegurança. Esperamos que o governo olhe para a Segurança Pública da forma correta”, conclui Ortiz.

ASDEP

O posicionamento dos Delegados de Polícia é de respeito ao movimento de servidores. Segundo o delegado Cleiton Freitas, presidente da Associação dos Delegados de Polícia do Rio Grande do Sul (ASDEP), a entidade tem conhecimento das dificuldades do momento: “Respeitamos a situação desde que não prejudique a sociedade. Não tem como não apoiar quem sai cedo de casa para arriscar a vida”. Sobre a superlotação de delegacias, Freitas é direto: “é uma regressão, é um ataque a sociedade, aos direitos humanos”. Para ele, o movimento grevista serve para divulgar a crise estrutural do setor: “Isso é um alerta para mostrar as mazelas. Nossos agentes estão adoecendo. É um caos, uma bomba prestes a explodir”, afirma o delegado. Ainda, de acordo com Freitas, a atual superlotação gera um risco iminente de fugas.

O que diz a Polícia Civil

Em nota a entidade afirma: “A Polícia Civil reconhece o direito de manifestação dos agentes policiais, mas ressalta a importância de que sejam observados os parâmetros legais. A atividade de polícia judiciária é essencial à manutenção da ordem pública, devendo ser atendida e preconizada. A sociedade não poderá ficar completamente desassistida, sendo necessária a atuação, mesmo prioritária, visando preservar a segurança, a paz social e a incolumidade das pessoas e do patrimônio.

Os delegados de polícia, gestores dos órgãos policiais, considerando eventual redução do efetivo, avaliarão quais as demandas prioritariamente deverão ser atendidas, no que, temos absoluta certeza, falará mais alto o bom senso e a responsabilidade profissional de todos os policiais, agentes e delegados.

A Chefia de Polícia acompanhará o desenvolvimento da atividade policial neste período, a fim de evitar prejuízos aos cidadãos.
A polícia é única, juntos somos fortes e merecedores da confiança da sociedade, que não ficará desamparada, mesmo nos momentos mais difíceis.

O que diz a SSP

Em nota, a Secretaria da Segurança Pública (SSP) afirma: “A Segurança Pública é um direito fundamental e um serviço essencial. Desta forma, a população não pode ficar desassistida em virtude da paralisação de profissionais desta área; O Supremo Tribunal Federal (STF) já se manifestou neste sentido, em abril deste ano, afirmando que profissionais da Segurança Pública de todo o país não podem fazer greve; Apesar de todas as dificuldades financeiras, o Governo do Estado tem feito um grande esforço para honrar os reajustes salariais concedidos aos servidores da segurança pública, que já somam 38% de aumento desde 2015. Foram as únicas categorias que receberam reajuste; A SSP procura sempre manter o diálogo permanente com as entidades representativas dos seus servidores. A nossa Polícia Civil é referência nacional e possui a total confiança da população gaúcha. Portanto, esperamos que os nossos valorosos policiais mantenham os serviços em pleno funcionamento, de modo a não prejudicar a segurança dos cidadãos do Rio Grande.