HISTÓRIAS CRUZADAS: A mulher assassinada era inocente ou culpada?

Capítulo 8 (Continuação):
por Émerson Vasconcelos

foto folhetim

O assassino havia passado os últimos dias colaborando com a polícia, ou melhor, atrapalhando o trabalho dos investigadores. Contou histórias sem fundamento, indicou álibis difíceis de serem verificados, e, através de pequenas atitudes, ganhou a confiança dos policiais. Só para citar uma, um dia após o sepultamento da esposa, encontrou na rua o delegado responsável pela investigação na Victor Barreto e o ajudou a encher dois pneus de seu carro. O que o delegado não fazia ideia era de que o próprio Lucas, o assassino, havia passado no local e mexido nas rodas minutos antes. Após ajudar, aceitou uma carona, chorou no veículo e jurou vingança a quem pudesse ter feito mal à sua amada. Comovido, o novo amigo prometeu empenhar todos os esforços da corporação no caso e admitiu que em casos assim também gostaria de poder fazer justiça com as próprias mãos.

Não foi nada difícil para Lucas sair da óbvia primeira colocação na lista de suspeitos de um caso assim. Sem antecedentes criminais, sem históricos de brigas com a esposa e sem nenhuma razão aparente para matá-la, ele ainda vendia a perfeita imagem do bom moço apaixonado e devastado pela tragédia. Foi desta forma que vagou livre pela cidade por semanas, pensando nas mulheres que já havia matado, sem sentir arrependimento algum, e, ao mesmo tempo, se perguntando por que agora era diferente. Sua compulsão por tirar vidas, pela qual ele culpava a sua primeira esposa (aquela que só ele lembra que existiu) agora tinha finalmente lhe trazido a dor e o sentimento de culpa.

O motivo dele ter vindo morar em Canoas novamente, mais precisamente na Avenida Boqueirão, era se aproximar do homem que era, de acordo com sua mãe, seu pai verdadeiro. Foi morar quase em frente à residência daquele homem para tentar uma aproximação gradual, o que parecia que ia ocorrer, já que havia percebido o interesse do suposto pai pela sua rotina, o velho sempre o espiava pela janela.

Hoje, decidiu voltar para casa, abaixo de muita chuva, depois de vários dias dormindo em hotéis baratos, sentia-se preparado para voltar à cena do crime. Só que ao chegar em frente à sua residência, olhou para o outro lado da rua e viu o velho Antônio se despedindo dos policiais. Esperou a viatura se afastar e, sorrateiramente, atravessou a via. Bateu na porta e aguardou. Antônio, então, abriu a porta e ficou sem palavras diante de tão inusitada visita.

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