Lugar de psicólogo é também na sala de aula

abertura psicologia
Simone Dutra
gomesdutra@hotmail.com

O suicídio na juventude é normalmente associado a fatores como depressão, abuso de drogas e álcool, além das chamadas questões interpessoais: violência sexual, abusos, violência doméstica e bullying. E de acordo com a Associação Brasileira de Psiquiatria, adolescentes lésbicas, gays, bissexuais e transexuais são cinco vezes mais propensos a tentar suicídio do que heterossexuais. São mais de mil adolescentes em um total de 10.000 suicídios por ano registrados no nosso país.

A psicóloga Letícia Uequed, que atende na ala feminina da Casa da Graça – Centro de Dependentes Químicos, em Canoas, conversou com a equipe do jornal O Timoneiro para elucidar algumas questões e falar sobre o trabalho que realiza. Ela foi convidada pelo Unilasalle 360° para dar uma palestra em função da alta demanda de jovens usando drogas e comentando suicídio, no Colégio Marechal Rondon, para alunos do 1º e 3º ano do ensino médio. Depois disso, ela continuou o projeto, que chama de “Roda de conversa”, de forma voluntária.

Ela conta que um dos exercícios iniciais nas interações com os jovens é lúdica e simula a elaboração de uma festa, criada em conjunto. “Eu vou montar uma festa e quero que vocês me ajudem. O que precisa ter nesta festa para a gente se divertir?” E a resposta é sempre bebidas alcoólicas. “E eu digo, e uma cama elástica, não vai?” E a resposta é sempre não.

O termo bullyng foi levantado inúmeras vezes pelos próprios estudantes, que se manifestaram dizendo serem objetos de preconceito dentro da própria escola. A partir desta reivindicação, Letícia expandiu os debates, oferecendo dentro de sua clínica (Simplifique Ser – Rua Santini Longoni, 251, Canoas) espaço para que professores e outros profissionais ligados a estes adolescentes discutissem formas de identificar estas possíveis vítimas.

“No assunto sobre Sexualidade, me trouxeram a questão de um menino de uma escola que não se identifica com seu gênero e queria usar o banheiro feminino, então isto é muito sério, pois a sociedade vai negando a existência dele, ao passo que existe todo um trabalho possível a ser feito por estas pessoas a fim de evitar que elas cometam suicídio por não se enquadrarem”, destaca a psicóloga. Ela ainda questiona: “A escola é a segunda casa dos estudantes, se ela não falar sobre Identidade de Gênero em casa e isso for também proibido no colégio, onde ela vai aprender?”.

O Centro de Valorização da Vida (CVV) 188, é um serviço do governo, que presta atendimento gratuito e de qualquer telefone, como forma de prevenção em casos de suicídio.