CANOAS 78 ANOS: Nomes de ruas guardam parte importante da história canoense

Marcelo Grisa

A cidade de Canoas completa, na próxima terça, dia 27 de junho, seu aniversário de 78 anos de emancipação. Entretanto, sua história data desde o século XVIII, quando Francisco Pinto Bandeira obteve autorização de Portugal para colonizar as terras à Leste do Rio Gravataí. Não apenas seus descendentes, mas também vários canoenses de antes do século XX estão eternizados nas ruas da cidade.

Rua Coronel Vicente
O baiano Cel. Vicente Ferrer da Silva Freire, chegou à região em 1809, para ser secretário da Capitania de São Pedro do Rio Grande do Sul. Em 1812, casou-se com Dona Rafaela Pinto Bandeira, neta de Francisco Pinto Bandeira.
Em 1836, com o início da Revolução Farroupilha, Vicente fugiu de Porto Alegre e recolheu-se à Fazenda do Gravataí, cuja sede ficava onde hoje fica o bairro Estância Velha. Perseguido pelos farroupilhas mas não querendo participar de uma reação imperial, escondeu-se nas matas da propriedade com seu filho Diogo e o Alferes José Maria Lôbo. Todos foram emboscados e mortos. São vítimas indiretas da resistência de outros oficiais, que reuniam-se na propriedade tentando organizar uma reação.

Rua Dona Rafaela
Esposa do Cel. Vicente, Dona Rafaela Pinto Bandeira herdou não somente a Fazenda do Gravataí, como também a Chácara da Brigadeira, onde hoje fica o Centro de Porto Alegre. Depois da Revolução Farroupilha, vendeu e doou muitos de seus terrenos para o desenvolvimento da região, dividindo o restante entre seus sete filhos.

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Avenida Santos Ferreira
O português José Joaquim dos Santos Ferreira foi um dos diretores-fundadores do Banco da Província, o primeiro banco comercial do Estado, em 1858. Antes disso, tinha extensa carreira como comerciante no Rio Grande do Sul e no Nordeste brasileiro. Casou-se com Maria Luísa da Silva Freire, uma das filhas da D. Rafaela, com quem teve treze filhos.

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Rua Dr. Barcelos
O Advogado Israel Rodrigues Barcelos, de Pelotas, foi casado com D. Maria Josefa da Silva Freire, outra das filhas da D. Rafaela, com quem teve sete filhos. Deputado provincial e geral, Barcelos chegou a ser presidente interino da província entre 1868 e 1869.

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Avenida Guilherme Schell
Filho de alemães, o Major Guilherme Schell também atuava como comerciante. Constituiu família com Rafaela Eulália Freire Barcelos, filha do Dr. Barcelos e de D. Maria Josefa. Seu filho, Israel Rodrigues Barcellos Schell, ao herdar as terras e fortuna do pai, promoveu o desenvolvimento da área central da cidade, incluindo a fundação das ruas Coronel Vicente, Dr. Barcelos e Araçá. Assim, homenageou o pai nomeando a maior via da região central, que até hoje liga Canoas a Esteio e Porto Alegre.

 

Rua Fioravante Milanez

Fioravante Milanez veio da Itália ainda pequeno, em uma das ondas de colonização de sua terra para o Brasil. Estabeleceu-se em Canoas como arquiteto, e construiu muitos locais importantes para a cidade no começo do século XX, como a segunda estação férrea, a Igreja Matriz e o Edifício Milanez, onde fica até hoje o Café Imperial. Sua atuação também teria sido decisiva para a doação do terreno onde hoje fica o Hospital Nossa Senhora das Graças. Faleceu em 1951.

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Avenida Victor Barreto
Entre o final do século XIX e o início do século XX, Victor Barreto de Oliveira era um dos mais proeminentes estancieiros do Estado. Foi um dos primeiros gaúchos a exportar rosas e pêssegos de suas terras para a Europa. A via, anterior à Av. Guilherme Schell, foi idealizada por ele próprio, que tinha o sonho de ver pavimentados os 30 km de estrada que passavam ao largo da estrada de ferro Porto Alegre-São Leopoldo.

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Rua XV de Janeiro
Assim como o 27 de junho é a data que marca a emancipação de Canoas, o 15 de janeiro é igualmente importante. Neste dia, em 1940, foi empossado Edgar Braga da Fontoura, primeiro prefeito canoense.

Fontes: IHGRGS; livro As Origens de Canoas, de João Palma da Silva.