“Nossa maior preocupação foi com a Saúde”, afirma Busato

Assumir a Prefeitura de Canoas é um desafio para qualquer gestão pública. Um município que tem seu PIB entre os maiores do Estado, em uma região estratégica e com população com crescimento constante. Após 18 meses administrando a cidade, Luiz Carlos Busato (PTB) falou com a reportagem do jornal Timoneiro sobre as principais atividades desempenhadas nesse período.

Saúde

“O que mais nos preocupou foi a Saúde Pública, pela grande demanda de reclamações. Já sabíamos desde a época da campanha. Havia fila de espera em diversos setores”, afirma Busato, quando questionado sobre a principal ação do governo até o momento. Ele relembra que, no início do mandato, foi constatado que havia 150 mil pessoas na fila de espera para atendimentos. Hoje, segundo ele, Canoas tem um total de 133 especialidades de exames zeradas, e ainda 50 de consultas, totalizando 183 especialidades com fila de espera zerada, de um universo de 249 especialidades. O prefeito cita os mutirões e ações realizadas pela Secretaria de Saúde como motivo dessa redução nas filas. Ele também destaca, como realizações, a abertura de leitos no HU e sua nova UTI, a nova UPA do Idoso, o Centro de Especialidades, além de reformas no HPS e UPAs, que somarão investimento de R$ 10 Milhões.

Gamp

Outra situação para ser resolvida logo no início do governo foi contrato com o Gamp, assinado ainda no mandato de Jairo Jorge. “Assumimos esse contrato com mais de 150 milhões de dívidas. Estamos até hoje pagando essas dívidas. Isso causou sérios problemas. Hoje já regularizamos a situação”, diz Busato, que ainda questiona o formato do acordo. Questionado se há alguma possibilidade de encerramento do vínculo com a empresa, o prefeito nega: “É inviável fazer um encerramento de contrato com eles. É um “brete” em que nos botaram. É ruim com o Gamp? É, mas é pior encerrar o contrato e ter que pagar milhões em recisões”.

Capacidade

Outro problema no sistema de Saúde canoense, de acordo com o prefeito, é a capacidade de atendimento da cidade, que está superexigida: “Canoas atende 156 municípios, mais ou menos 44 % da população do país. Jairo Jorge abriu as portas para essas cidades pra fazer campanha política. Nossa estrutura não comporta isso”. Busato afirma que já comunicou a Secretaria de Saúde do Estado sobre a restrição de atendimentos a outras cidades.

Administração

Umas das preocupações na área da Saúde também tinha relação com os funcionários. Segundo o prefeito, a gestão anterior não deixou dinheiro suficiente em caixa. “Tivemos que vencer essa primeira etapa administrativa. Não deixaram nem perto do que era necessário para honrar os pagamentos dos primeiros meses do ano. Por isso, tivemos que fazer campanha de pagamentos do IPTU.”

Cidade digital

“O teleagendamento vai acabar”, afirma Busato. A ideia da atual administração, para o lugar das ligações, é digitalizar o acesso a todos os serviços prestados pela Prefeitura. Nos próximos meses, Busato promete o início da realização de um aplicativo para celulares com essa função. “É uma tendência mundial, a vida hoje acontece no celular. Qualquer serviço vai estar disponível por ali. Vamos ter um para a Saúde, outro para Educação, outro pra Segurança. É algo bem completo”, afirma.

Contrato entre Graças e Prefeitura prestes a acabar

“O Hospital Nossa Senhora das Graças não é municipal”, destaca o prefeito. Ele afirma isso como esclarecimento, já que muitas vezes a Prefeitura é cobrada diante das repetidas crises protagonizadas pelo hospital. “Nós não temos nenhum tipo de ingerência dentro dele. Se tivéssemos, ele estaria em outra situação. O hospital tem historicamente uma má gestão”, diz Busato. O contrato entre as entidades acaba no dia 31 de julho, devido a uma decisão do Ministério Público.

 

O prefeito ainda afirma que a atual gestão constatou que o município estava pagando procedimentos que não foram feitos pela instituição. “Cortamos e pagamos apenas o que foi realizado. Eles têm que se adaptar”, comenta Luiz Carlos, que ainda relata uma conversa que teve com a direção do ABC, onde se ponderaram alternativas para evitar o fechamento do Graças. Como resultado, foi proposto ao MP um prazo de prorrogação do contrato entre as partes.

A ideia é dar mais tempo para que o Graças procure alternativas de subsistência, já que o encerramento do contrato, ainda que adiável, é definitivo. Se o MP não aceitar as ponderações, o prefeito afirma que não há mais nada para fazer sobre o caso: “Vou ter que ser obrigado a deixar acontecer e preparar as demais estruturas da cidade para atender a demanda do Graças. Torço para que não aconteça o fechamento, mas me parece que é o que vai acontecer”.