O protagonismo da mulher na atualidade e a rotina de trabalhadoras canoenses

Monique Mendes*
Simone Dutra*

A sociedade foi regida durante anos por um sistema patriarcal que abria pouco espaço para as mulheres no mercado de trabalho. As atividades mais comuns que elas desempenhavam estavam ligadas às tarefas do lar e a responsabilidade pelo cuidado e educação dos filhos.

Essa herança cultural machista e a entrada tardia do gênero feminino no mercado de trabalho influenciaram, de certa forma, na equidade de gênero e na equiparação de salários entre mulheres e homens, enfrentadas ainda nos dias atuais. Mas, o empoderamento feminino, a busca pela qualificação profissional e a influência de exemplos de sucesso de outras mulheres estão abrindo as portas para o protagonismo feminino e tornando, aos poucos, o cenário mais positivo para elas em todos os segmentos da sociedade. O jornal Timoneiro conversou com três mulheres canoenses que são exemplos de protagonismo feminino na cidade e dividem suas experiências no setor que atuam.

Andrea Neumann – Diretora Óticas Vênus

“Assumi a direção das Óticas Vênus depois que passei por todas as etapas necessárias para chegar até aqui. Busquei qualificação e hoje me sinto preparada para assumir meu papel.  Acredito que a mulher está independente e isso é uma coisa muito boa, isso é a virada dos tempos. Nosso ramo dos óticos é um ramo com muito mais homem do que mulher. O fato de nunca ter passado por situações constrangedoras com os homens, talvez seja porque nunca dei nenhum tipo de abertura para que isso ocorresse.  Sempre tratei todas as pessoas com muito respeito e sempre fui tratada igual”.

Ana Cláudia Bitencourt – Empreendedora e empresária

“A nossa visão tem que ser mudada, porque a gente foi tratada assim: minha filha é pra casar e meu filho é pra ser um cara de sucesso. Por conta disso, as mulheres que resolvem empreender enfrentam dificuldades e acabam sofrendo com o preconceito na pele, pelo simples estigma de que são mulher. Por isso o empreendedorismo deve ser incentivado para que mais mulheres sejam protagonistas. O empreendedorismo tem muito a ver com liderança e em geral as mulheres já são líderes nas suas casas.  Quando uma mulher decide que quer fazer algo, em geral ela consegue”.

Gisele Uequed – Advogada, empresária e vice-prefeita de Canoas

“Há um crescimento visível no respeito ao posicionamento das mulheres dentro das instâncias políticas justamente porque estamos cada vez mais capacitadas para ocupar espaços de liderança. Tanto a carreira profissional quanto a política requerem muita dedicação. Mas não podemos deixar que isso retire de nós a essência de ser uma mãe carinhosa, companheira e atenciosa. O grande desafio é achar o equilíbrio e levar para nossos ambientes de trabalho nossa capacidade de lidar com diversos assuntos ao mesmo tempo com um olhar amplo, sensível e justo”.

Dia Internacional da Mulher

O dia 8 de março foi marcado por uma manifestação feminina por melhores condições de vida e trabalho, durante a Primeira Guerra Mundial, se tornando um marco oficial para a escolha do Dia Internacional da Mulher.
As jornadas de trabalho eram de 15 horas diárias e a discriminação de gênero era alguns dos pontos debatidos pelas manifestantes da época.
Com a proximidade da data, o Timoneiro ouviu algumas trabalhadoras canoenses sobre sua rotina e perspectivas profissionais.

Rita Dalla Porta Bianchin Bueno trabalha há 18 anos como motorista de ônibus na cidade de Canoas, profissão predominantemente masculina, e enxerga nisso uma grande conquista, pois, segundo ela, através dos anos as mulheres foram ganhando o seu lugar e mostrando que são tão competentes quanto os homens. Ela diz não sofrer preconceitos na sua profissão por ter adquirido a confiança dos colegas e dos clientes. “Desejo que sejamos todas respeitadas pelo que somos, independente das atividades que exercemos, apesar de ainda vivermos em uma sociedade machista, estamos construindo o nosso espaço”, finaliza Rita.

Catiúscia Picoral trabalha há 15 anos na Guarda Municipal de Canoas, e atualmente é Inspetora Fiscal Administrativa e cursa Gestão Pública. Ao usar uma farda, ela conta que percebe a admiração das pessoas nas ruas e não o contrário. Ela relata que com a presença massiva dos homens no departamento é necessário que se tenha que se adaptar ao jeito da maioria, “pois aqui não somos homens nem mulheres, e sim guardas municipais”, completa. Segundo ela, quando percebe alguma atitude sexista no dia a dia, fala: “Para com machismo, porque comigo não cola!”. A inspetora reforça que acredita no direito que todos têm de ser respeitados, e que se todo mundo respeitasse o outro, não existiria sexo e sim seres humanos, e também não seria preciso estar tendo esta conversa. “Nós precisamos evoluir muito ainda como cidadãos, como pessoas. Não é por que estou de saia curta que devo ser agredida. Por que digo NÃO para um homem que posso levar um tapa na cara. E, também, por que ele vem contra mim que pode apanhar. Ou pessoas que têm opção sexual diferenciada possam ser violentadas. As mulheres devem ser verdadeiramente reconhecidas. Não podemos desistir”, conclui.