Exposição Movimento de Justiça e Direitos Humanos é inaugurada em Porto Alegre

Mostra faz revelações em resgate histórico da luta contra as ditaduras.

O sentimento de terror implantado pelas ditaduras militares que violaram a democracia e os direitos civis no Cone Sul da América, entre 1964 e 1990, será percebido nos recursos de multimídia da ambientação da exposição Movimento de Justiça e Direitos Humanos – Onde a Esperança se Refugiou, que será lançada na Usina do Gasômetro, em Porto Alegre, nesta quinta, dia 25 de abril, às 18horas, estendendo-se até 5 de maio, com entrada franca. Em julho, a mostra será instalada em São Paulo, na sede do Arquivo Público. Com depoimentos inéditos de sobreviventes e documentos do acervo do Movimento de Justiça e Direitos Humanos (MJDH), a exposição provocadora busca resgatar para as novas gerações a história da resistência ao terrorismo de estado que, através de aparatos repressores oficiais e clandestinos, promovia prisões ilegais, tortura, morte e desaparecimento de pessoas.

A mostra apresenta o papel do MJDH no processo de resistência às ditaduras da América Latina, fazendo um recorte de tempo-espaço a partir dos anos 60 até os dias atuais, valorizando as suas dimensões históricas, políticas e pedagógicas, com o objetivo de levar às novas gerações informações, consciência e experimentação desse período conturbado e sangrento da história latino-americana. Organizada e dividida em cinco eixos, a mostra traz políticas de memória com um acervo de mais de 2 mil fotos desse período, incluindo 366 rostos das vítimas da ditadura militar no Brasil.

A exposição “Movimento de Justiça e Direitos Humanos – Onde a Esperança se Refugiou” é um projeto cultural da Quattro Projetos com chancela do MJDH. A coordenação é da Mescla Eventos, curadoria de imagens e conteúdo da Estação Filmes e cenografia da HEstúdio. Realização do Ministério da Cultura – Lei Rouanet de Incentivo à Cultura, com patrocínio da Petrobras e Cia. Energética Rio das Antas (Ceran), apoio da Prefeitura de Porto Alegre/Usina do Gasômetro, Arquivo Histórico de São Paulo e Arquivistas Sem Fronteiras/Brasil.

Outro recurso da exposição será uma mostra de cinema com a exibição de 11 filmes que retratam episódios dos Anos de Chumbo no Brasil e na América Latina, incluindo a pré-estreia de Dossiê Jango, de Paulo Henrique Fontenelle, que ainda não entrou em circuito comercial. Também está programada a estreia do documentário História de uma vida hermana, de Marco AntonioVillalobos. As exibições, com sessões comentadas, acontecerão de 30 de abril a 5 de maio, na Sala P. F. Gastal, da Usina do Gasômetro, com sessões nas terças, às 19h, quartas a sextas, às 17h e 19h, e aos sábados e domingos, às 15, 17 e 19 horas.

OS CINCO EIXOS DA EXPOSIÇÃO
Eixo 1 – Contexto Político Latino-Americano e Brasileiro.
Este eixo visa a introduzir o espectador ou visitante da exposição a um exercício de compreensão, reconstituição e/ou conhecimento dos momentos históricos e suas respectivas conjunturas, tanto nacional como internacional, nas quais se estabelecem as ditaduras na América Latina, partindo da Segunda Guerra Mundial e da Guerra Fria, passando pela Revolução Cubana e culminando nos anos 1960, onde o mundo, literalmente, se transformou. O público “embarcará” nessa época através de um vídeo repleto de informações, imagens e textos do período, que retratam a conjuntura internacional e latino-americana, a revolução cultural mundial, mudanças de paradigmas e comportamentos a partir dos movimentos jovens. As imagens do vídeo são pontuadas por depoimentos de testemunhas da transformação política do Cone Sul.

EIXO 2 – A DITADURA MILITAR NO BRASIL
O eixo 2 trata, especificamente, da conjuntura e do contexto político-social brasileiro, no momento do golpe militar de 64 e de suas consequências, percorrendo cronologicamente as ações repressivas e violentas utilizadas para calar qualquer manifestação que desafiasse a “doutrina de segurança nacional” e, por consequência, os interesses brasileiros no contexto dos mandamentos norte-americanos. O ambiente traz dois vídeos e informações visuais, mostrando algumas faces desse terror que foram os processos ditatoriais na América Latina.

EIXO 3 – O MOVIMENTO DE JUSTIÇA E DIREITOS HUMANOS
É o espaço dedicado ao Movimento de Justiça e Direitos Humanos, representando as ações de solidariedade junto aos perseguidos políticos, dentro de um contexto de extrema violência repressiva no Brasil e na região do Cone Sul. Vídeos, textos, imagens e fotos mostram o papel do MJDH na ajuda e salvaguarda de vidas e proteção das vítimas da repressão militar. Esse eixo traz um vídeo com depoimento de integrantes e ex-integrantes do MJDH evidenciando a origem, contexto histórico de surgimento, ação e atuação, casos emblemáticos e importância de preservação da memória do Movimento. Mostra, ainda, um vídeo com depoimento, fotos e documentos de três casos emblemáticos da atuação do MJDH no resgate de perseguidos políticos da região: os sequestros de Cláudio Benech e dos uruguaios Universindo Rodriguez Díaz e Lilian Celiberti, e a prisão e fuga de Antonio Ariel Cantoni.

Silhuetas do corpo humano em tamanho normal preenchidas por textos com casos emblemáticos de perseguição policial e política das ditaduras do Cone Sul fazem parte desse espaço da exposição, que traz, também, um painel com rostos das 366 vítimas da ditadura brasileira acompanhado de som ambiente com os nomes, idade, local e ano de desaparecimento das vítimas.

Entre os espaços do Eixo 3, há duas réplicas de telefones públicos com interiores forrados com recortes de documentos, cartas, fotos, cartazes e jornais da época, relacionados às vítimas da perseguição política no Cone Sul. Acompanha áudio com narração de fragmentos de cartas enviadas ao MJDH, por vítimas e familiares das ditaduras na região.

EIXO 4 – O PROCESSO DE TRANSIÇÃO POLÍTICA NO CONE SUL – ANISTIA/REDEMOCRATIZAÇÃO
O eixo 4 retrata as formas de transição democrática que condicionaram as democracias implementadas, no Brasil e América Latina, após períodos de governos impostos pelas forças ditatoriais. A saída da ditadura brasileira é evidenciada pela negociação como poder da corporação militar. Esse momento histórico fica evidenciado através de cartuns e imagens de época, som e informações. Um painel com cartuns, produzidos por artistas gaúchos (Grafar), retrata a ditadura brasileira. Há também colagem com cartazes da anistia no Brasil, Argentina, Uruguai e Chile. Outro painel que compõe o espaço mostra graficamente a cronologia das ditaduras (Brasil: 1964 - 1985; Uruguai: 1973 - 1985; Argentina: 1976 - 1983; Chile: 1973 - 1990) e o processo de “transação” política que ocorreu no país ao final da ditadura.

EIXO 5 – POLÍTICAS DA MEMÓRIA
O eixo 5 traz um ambiente final, imersivo, com a cronologia das comissões da verdade em quatro países: Brasil, Argentina, Uruguai e Chile. Um vídeo com depoimentos de historiadores, ativistas políticos e militantes da época (entre eles Jorge Vivar, Jair Krirschke, Afonso Licks, Carlos Araújo, Antenor Ferrari) rememora como cada país trata a sua memória dos anos de chumbo. Tudo alinhado com a ideia da importância de que as novas gerações conheçam a história recente de seu país.

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