Novos indícios de fraude e manipulação no OP

Há duas semanas, O Timoneiro publicou denúncias de leitores, que apontavam a possibilidade de haver manipulação política nas votações do Orçamento Participativo (OP), com pessoas sendo levadas por políticos a votar em microrregiões nas quais não residem. Na ocasião, a Prefeitura explicou que a situação da qual as pessoas estavam reclamando era prevista no regimento do OP. No entanto, agora, surge uma nova denúncia, de uma situação que contraria totalmente o que diz o regimento do processo. Na resposta da Prefeitura, fica evidente que há uma falta de controle que permite manipulação e fraude.

Nova denúncia
Na última semana, uma moradora que esteve presente na plenária do OP na microrregião Nossa Senhora das Graças procuraram a redação de O Timoneiro e afirmou que, durante o evento, um dos participantes denunciou às autoridades presentes (dentre as quais estariam o prefeito Jairo Jorge, o subprefeito Paulo Accineli e o secretário de Relações Institucionais Mário Cardoso) que entidades estariam mobilizandoas mesmas pessoas para votar em diversas plenárias. Como nada foi feito em relação a isso, esta moradora resolveu procurar a imprensa para relatar a situação, que, se confirmada, fere o que diz o regimento do OP: Art. 28, §6º, "Todo o cidadão canoense a partir de 16 anos terá direito a votar uma única vez em cada etapa e somente em uma microrregião”.

A moradora declarou também conhecer uma situação em que uma entidade teria, de fato, pressionado seus membros para que eles votassem em todas as microrregiões: "A Economia Solidária colocou ônibus à disposição e convidou todos os integrantes a participar. Só que este convite foi feito com pressão, deixaram subentendido que quem não participasse poderia não ter espaço na próxima feira”. Neste caso específico, os empreendedores estariam sendo pressionados a votar em uma obra interessante à Economia Solidária como obra da cidade e poderiam votar na obra microrregional quisessem.

Controle precário
Procurado para falar do assunto, o diretor de Relações Comunitárias da Secretaria de Relações Institucionais, Célio Piovesan, deu uma declaração um tanto quanto confusa à nossa equipe de reportagem. Em um primeiro momento, afirmou que a conferência das listas de votantes é feita de "uma forma mais geral”, com base na confiança na idoneidade das pessoas. Disse também que se alguma fraude for comprovada, a pessoa que votou em mais de um lugar poderá ser processada. Só que logo depois, ao ser perguntado se admitia que o sistema de conferência dava brecha para fraude, o diretor afirmou que a Prefeitura faz uma conferência de todas as listas, que são colocadas  em ordem alfabética. No final da conversa, o que ficou claro é que o controle sobre as listas é precário e que a Prefeitura não admite ter encontrado nenhuma fraude. Piovesan manteve a posição de que se alguma fraude for comprovada, o caso será avaliado pelo conselho do OP e o responsável pode ser processado. No entanto, afirmou que o voto dado, mesmo que comprovadamente duplo, não será invalidade, pois foi avaliado e validado na plenária.

Vereador
Um dos casos que mais repercutiu, em relação à possibilidade de manipulação no OP, foi a da microrregião Fátima. Na plenário desta microrregião, moradores afirmam que o vereador Cebola teria levado pessoas residentes em outros bairros para votarem em uma obra microrregional de seu interesse, que acabou vencendo por poucos votos uma outra demanda.
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