Teleagendamento segue causando indignação

Desde a implantação do sistema de teleagendamento de consultas médicas nos postos de saúde, o número de reclamações de usuários que não conseguem ser atendidos só aumenta. Nos últimos dias, tem surgido também outros tipos de reclamação. Pessoas que esperam a marcação de exames desde o ano passado estão começando a perceber que precisarão recomeçar todo o processo, marcando consulta por telefone, e pedindo novamente o procedimento ao médico. O sistema anterior foi totalmente zerado.

Além disso, o novo sistema de marcação de horários de exames já se provou falho. Na última terça-feira, 13, dezenas de pessoas aguardaram por mais de quatro horas para realizar exames de sangue no Hospital Nossa Senhora das Graças. Enquanto os que haviam marcado o exame antes da implantação do teleagendamento estavam cientes de que a realização seria por ordem de chegada, para quem teve a marcação feita depois do teleagendamento foi passada uma marcação de horário que não serviu para nada. No final das contas, quem deveria ficar 12 horas em jejum para fazer a coleta, acabou ficando até 16 horas sem comer.

Na terça-feira, nossa equipe de reportagem chegou ao Hospital Nossa Senhora das Graças às 11 horas, e encontrou pessoas que aguardavam desde às 7 horas para fazer exames de sangue. Segundo os pacientes, agora o posto de saúde liga para a central de teleagendamento, marca o exame, e repassa um horário marcado. Na prática, no entanto, a realização dos exames continua sendo feita por ordem de chegada, causando confusão na fila de espera.

Espera prolongada
Independente de ser ou não reflexo do teleagendamento, a situação ocorrida no Hospital Nossa Senhora das Graças prolongou o jejum dos pacientes muito além do necessário. Sueli Braga da Silva, 67 anos, parou de comer às 20 horas da segunda-feira e às 11h30min ainda não havia conseguido realizar seu exame.

Já Lisiane Galdino contou que acompanhava um idoso que estava em jejum desde às 21 horas do dia anterior. "Ele já está começando a passar mal. E tudo isso está errado. Para marcar a consulta dele com o clínico geral eu fquei uma hora no telefone. Depois, ele foi atendido e o posto disse que às 9h40min de hoje o exame dele seria feito. Duas horas de atraso para quem está em jejum é muito tempo”, reclamou.

O caso de Doroty Raduszewski era diferente, mas não menos grave. Ela chegou às 7 horas e precisava apenas entregar um exame de urina. Às 11h30min ainda estava no corredor, segurando recipiente com a urina coletada. "O médico, que eu demorei muito para conseguir marcar por telefone, disse que eu poderia estar com infecção urinária. Daí o posto levou dois dias para agendar o exame e agora acontece isso”, desabafou.

A assessoria de imprensa do Hospital Nossa Senhora das Graças informou que houve um crescimento na demanda dos exames e que na terça-feira duas funcionárias faltaram. Este teria sido o motivo do atraso. A assessoria não soube informar se este aumento na demanda ocorreu em decorrência do teleagendamento.

Demora para marcar
O aposentado José Eduardo Campos é mais um cidadão que encontra dificuldades para a marcação de consultas após a implantação do sistema de teleagendamento pela Secretaria de Saúde de Canoas. "Na sexta-feira passada, liguei 15 vezes para tentar marcar uma consulta com um clínico geral. Nesse teleagendamento, esses colocam uma mensagem eletrônica que pede para ligar em dez minutos e nunca se consegue atendimento. Para mim, esse é um grande problema. Não consigo pegar meus remédios, pois há necessidade de apresentar receita médica”, explica Campos.

O caso do aposentado Helio Reis Mello dos Santos é outro exemplo do mau funcionamento do novo sistema. Santos quer mostrar um exame solicitado por um médico no posto do Estância Velha, mas tenta falar com um atendente no teleagendamento desde o dia 6 e até agora não conseguiu. O paciente conta que já telefonou pelo menos 100 vezes para a central ao longo dos dias, sem ter sucesso em nenhuma. "Quero mostrar este exame de pulmão para o médico que solicitou. Não adiantaria nem eu querer pagar particular. Ele não atende em Canoas e eu não quero mostrar para outro médico, pois quem solicitou foi ele”, explica.

Santos reclama ainda que chegou a ir na Secretaria de Saúde para fazer uma reclamação. Segundo ele, foi coagido quando pediu para falar com a secretária Beth Colombo. "Vieram dois seguranças quando eu pedi para falar com ela. Isso é um absurdo. Eu nem estava gritando, estava tratando todos com educação”, desabafa.

Agenda zerada
Outro efeito colateral da implantação do sistema de teleagendamento foi o cancelamento de todos os protocolos de requisições de exames feitos anteriormente. Vilmar Pereira é uma das vítimas desta situação. Ele, que aguardava uma ecografia desde outubro de 2011, agora terá que reiniciar todo o processo para conseguir realizar o exame”O médico pediu o exame com urgência e ninguém dá satisfação nenhuma. Como tiraram balcão não tem como reclamar e nem para quem reclamar. Sou diabético e tenho problema cardíaco e não posso perder tempo”, desabafa.
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