Opinião: A República está nua

Zeca22032016

 

O futuro almejado não estará no futuro, estará na história escrita no dia a dia. Despiram-se todos dos seus pudores e aparecem tal quais são. Acordar de manhã e ler “sou contra a República e a democracia” e, no mínimo, como diria Marilena Chaui: “(…) uma aberração sociológica, filosófica e antropológica”, tudo em um pacote só. As garras da desconfiança, do ódio e do separatismo surgiram e arrancaram as vestes da República. Vítima de abuso e exploração encontra-se de pele e osso.

“(…) Que aos letrados não convém que se difunda e intensifique a instrução, assim como aos ricos não convém que haja uma repartição mais equitativa das fortunas. Se o nível intelectual subisse, o valor de muita gente baixava, porque se tornaria manifesta a sua incompetência para ascenderam às posições que ocupam. A ignorância, mais que a preguiça, é a mãe de todos os vícios, porque, embora não tire ao homem o lugar que ocupa na escala zoológica, reduz a pouco mais de nada a sua categoria social, o seu valor como cidadão.”

Uma verdade (atual) quase centenária (intemporal), escrita no jornal A Lucta de Portugal.

Suas roupas foram arrancadas, como em um tsunami , deixando a vista dos ingênuos que ainda acreditam na caixa preta sonora, que emite sons e imagens dos raivosos. Sua parte mais intima esta exposta, seu coração acelerado tenta de todas maneiras proteger-se dos golpes despudorados que recebe diariamente. A República está nua. Joguem-lhe nem que seja um trapo para que cubra, pelo menos, as suas partes mais intimas.