Opinião: Bela, recatada e do lar

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O feminismo nunca esteve tão em pauta no âmbito político como nos últimos tempos. E as mulheres nunca ganharam tanta força como agora, em todos os cenários sociais. São crianças, adolescentes, adultas e senhoras emponderando-se de seus direitos e exigindo o respeito que lhes foi negado por muitos anos.
Nesta semana, um fato absurdo envolvendo um político e a Presidente da República acabou trazendo à tona um assunto adormecido, escondido, e que muita gente nem tinha conhecimento: as mulheres que sofreram na época da ditadura militar, sendo torturadas, estupradas e até tendo ratos colocados vivos em suas vaginas.
Vejo em redes sociais que acompanho uma mobilização vinda de mulheres de todas as idades e de diferentes classes sociais e lugares do país como nunca vi antes.
As mulheres não aguentam mais o machismo impregnado na sociedade. Muitas vezes, mascarado. Um machismo que dura há séculos e séculos e que oprimiu e oprime mulheres do mundo inteiro, diariamente. Que faz diminuir, que faz machucar, que faz matar.
Neste momento da política nacional, assistimos excesso de xingamentos, ofensas e absurdos dirigidos à Presidente da República, muito mais pelo fato de ela ser mulher. Isso não tem nada a ver com política. É o velho e conhecido preconceito, tentando depreciar uma pessoa pelo seu sexo.
Não podemos deixar que divergências políticas permitam que uma mulher seja ofendida “em praça pública” quando isso for alheio às questões de trabalho, mesmo que ela possa ter errado neste contexto. Desta forma, estamos retrocedendo na história de combate de muitas mulheres que lutaram e ainda lutam por igualdade social.
Que todas as mulheres e homens estejam em conjunto nesta causa, independentemente de suas posições políticas, por justiça a tantas mulheres que merecem, além de respeito e igualdade, o perdão por anos de repressão e humilhação.