Opinião: Fórum Social Mundial ou as ideias nunca morrem

 

Zeca19012016

Por José Carlos Rodriguez

Confesso. Muitas vezes sou saudosista, sinto saudades da militância ativa, do debate, da necessidade imperiosa de mudar o mundo. O Fórum Social Mundial, que acontecerá em Porto Alegre, comemorativo aos seus 15 anos, traz tudo isso e muito mais. Criado principalmente no contraponto do foro econômico de Davos, que acontece anualmente em Janeiro, reunindo líderes empresariais e políticos (uma combinação perigosa), assim como intelectuais e jornalistas selecionados para discutir as questões mais urgentes enfrentadas mundialmente, incluindo saúde e meio-ambiente. Como diria Daniel Cohn- Bendit :“alguma coisa temos que fazer com os intelectuais, por isso criamos os fóruns e as conferencias”. Mas o Fórum Social – (a palavra social já indica outra linha) – que acontecerá em Porto Alegre e que terá características de evento global, será preparatório para o Fórum em Montreal, no Canadá, em agosto de 2016, não é idealizado verticalmente.

Mas fórum por fórum, eu fico com o social por que acredito nas pessoas nele engajadas, por que acredito em “um outro mundo Possível”, um mundo que vise o bem comum e não o lucro, com sustentabilidade, com ideologia e posição clara e definida, onde cada ser possa desenvolver-se como pessoa  e não entregar o trabalho de uma vida ao lucro desse um por cento que se junta em Davos. Por que acredito na juventude, mesmo que muitos pensem que eles se juntam no acampamento para fumar maconha. Quem pensa assim nunca esteve com os amigos em uma mesa de bar até a madrugada planejando mudar o mundo, portanto nunca teve sonhos, ilusões e não sabe o que é utopia. A juventude é um apostolado do futuro, só a eles cabe escolher em que mundo eles querem envelhecer, assim como nós ainda continuamos lutando pelo nosso. Como Ruben Dario, “a juventude é um tesouro divino”.

Para os Canoenses é uma ótima oportunidade de rever suas posições, deixar de acreditar que Canoas gira em torno da base aérea e da Petrobras, criar uma identidade própria para o município. Acreditar que, além de Xis, a cidade pode produzir muito mais. Uma cidade que conta com três universidades e a ponto de ter uma mais. Poderão aprender nas palestras que são ministradas gratuitamente por gente como Boaventura de Souza , sociólogo português; Emir Sader , sociólogo brasileiro; Maren Mantovani, do StoptoWalll da Palestina; José Mujica, ex-presidente do Uruguay; e muitos outros, pessoas com uma experiência de vida incrível que podem nos ajudar a construir uma cidade participativa e autogestionada. Poderá conversar com jovens de todas as nacionalidades e descobrir que há outros caminhos além da resignação a viver em um círculo vicioso que parece não acabar nunca. Sei que muitos jovens canoenses estarão lá, inclusive eu e minha companheira de vida, por que somos jovens e temos muitos sonhos ainda. Como diz o personagem V, do filme V de vingança: “Por baixo dessa carne existe um ideal e as idéias nunca morrem…” Abraços fraternos.

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