Opinião: o fator juventude

bruno01042016

 

Uma nova geração surgiu, lá pela década de 1990, compromissada em mudar o que ocorria ao seu redor. O fervor da década de 1980 já passava e eles não a viveram. Não cresceram com ela. Receberam sua influência. Legião, Engenheiros, Leindecker. Uma galera que não conviveu com a ditadura e esses lances, mas aprendeu a combatê-la desde o seu princípio. Que não viu ao vivo o Falcão e o Eurico Lara no sul, mas estava na arquibancada assistindo ao Fernandão e ao Danrlei.

A maioria vestiu a camisa da estrela amarela com fundo vermelha. Conheceu o tio da Kombi que levava o povo pra protestar no outro bairro enquanto os vizinhos se aglomeravam na esquina com as bandeiras e os adesivos da mudança, aguardando o pagamento e o sanduiche. Esse que hoje consideram um demérito, mas que já foi a única refeição de muitos no passado. Uma geração que aprendeu política como uma luta. Algo a vencer e não uma disputa que, por si só, deveria gerar ganhos para todos.

Em tempos de Fernando Henrique, Lula era a alternativa. Seus discursos levavam massas espontâneas. A personificação de nossos pais que chegavam após um longo dia de trabalho, o que era quase pior do que a falta que faziam em casa durante todo esse tempo. Aluguel, roupas, comida eram preocupações que os acompanhavam o dia todo. Lula mudou o Brasil mais pelo que representava do que pelo que fez. Mas mudou e para melhor. Foi o rosto que ensinou como se briga por direitos, por mais que agora faça o contrário.

E nessa onda foram. Acreditaram. Venceram. A grande verdade é que desde Lula não há outro líder. Não há um opositor, uma alternativa, um nome, uma vã ideia de quem seguir. Ninguém. Nada. A oposição os deixa enojados. Os que se dizem neutros não tem credibilidade para isso.

E a juventude de hoje, aquela galera de 90 que hoje esta com seus 20, 30 anos, não aguenta mais. Não acredita nos partidos, tão pouco nos políticos.

Mas eles mudam tudo. Os estudantes possuem o que ninguém mais tem: futuro. O mais velho sabe mais, viveu mais. Está calejado das más experiências. Os adultos pensam em si mesmos. Trabalho, família. Preocupações singulares daqueles que aprenderam há anos que ninguém correrá atrás dos seus sonhos por eles. Os jovens não. Pensam no lá, no futuro, no que ninguém ainda pensou. Os jovens querem, clamam, imploram por futuro e, para a preocupação daqueles que acreditam estarem sentados sob cadeiras vitalícias de poder, eles estarão nas próximas eleições.