Opinião: O peixe morre pela boca

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“Quem fala sem refletir assemelhasse ao caçador que dispara sem apontar”. (Montesquieu).

Não lembro quem disse que, na diplomacia, as palavras são usadas para esconder o que se pensa, muitas vezes. A cada vez, a competência de quem pode falar, ou calar, é posta a prova.

Concordo totalmente com o silêncio, ou com qualquer palavra tranquila, em lugar de outra que possa acender ainda mais a fogueira do debate, que assim poderá acabar em desastre irremediável.

Na política toda relação, salvo as de natureza interna, são diplomáticas. Nelas, devemos calar os palavrões que servem à graça e ao insulto, jamais ao debate comprometido com o destino da “coisa pública”.

O ex-Presidente da República e sua esposa, mal-educados para a política, insultaram pessoas e instituições com palavrões, desse modo apenas acirrando ânimos e nos expondo ao ridículo diante do mundo.

Revisão

Em meu texto da edição passada, há uma omissão. Escrevi que “Afinal, sonhando com a honestidade, a tranquilidade, a produtividade e a paz, vamos confiar que já nas próximas eleições tenhamos os votos confirmando os gritos, os panfletos, as bandeiras”. Não saiu tudo que escrevi.

Bagagem

“A classe política e os governos já têm poderes demais; já espicharam seus rabos além da medida. Esses rabos têm a medida da distância que há entre eles e o povo. Parece simples: quanto maior for o governo, quanto mais gordo, mais voraz e mais lento, quanto mais ampla for a procuração que lhe der o povo, mais dependente será este povo, tão dependente que nem povo será, será massa, tropa de manobra”. (O Timoneiro, 21 fevereiro 1986).