Globaliz.ação – Rogério Ceratti

Globaliz.ação

O Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, na contramão das políticas globais que preveem a preservação do planeta, anunciou esse ano a saída de seu país do Acordo do Clima de Paris (a meta dos EUA era cortar as emissões de gases que causam o efeito estufa, fins de evitar o aumento da temperatura global), pois na tentativa de lá estimular o consumo, se confrontou com restrições que haviam se comprometidos em virtude do Acordo.
Uma noticia impactante, pois mesmo que realizem outras atividades que auxiliem na preservação do meio ambiente, ainda é pouco se comparado com o grande consumo de carbono do país.
Provavelmente deve ser difícil para eles aplicar medidas que busquem geração de empregos e renda se há conflitos entre questões ambientais e financeiras. Pouco provável que cedo achem um equalizador entre esses dois polos.
Minha visão é que enquanto alguns países buscam alternativas estimulantes, outros deixam para depois a defesa do meio ambiente.
Na mesma época que li essa notícia, estive no Fórum Central de Porto Alegre e notei que foram incluídas lixeiras para resíduos orgânicos e secos nos andares do prédio. Não sei desde quando estão lá, mas o prédio é novo.
Não há comparativo entre a ação americana com a lixeira que vi no Fórum de Porto Alegre. Mas, nos dois países encontramos a população e o que fazemos para tornar mais sadio o nosso ambiente.
Já no novo milênio, não podemos esperar ser introduzidos a um núcleo de prevenção ou atuação social para desenvolver praticas de sustentabilidade. Ainda menos, esperar que apenas ações governamentais tenham um impacto positivo.
Devemos fiscalizar, mas sempre participar.
É preciso começar nas nossas próprias casas, no nosso trabalho, entre os amigos, pois o pensamento coletivo estimula boas ações.
Não podemos esperar também que o poder público encontre todas as soluções para as demandas da sociedade, sob pena de mantermos o Estado paternalista. Ele possui o dever de estimular, mas a pratica deve ser coletiva.
Vale lembrar que no Brasil, a Lei Nº 12.305/2010, institui a Política Nacional de Resíduos Sólidos, estabelecendo “princípios, objetivos, instrumentos, diretrizes, metas e ações” para que os governos e a iniciativa privada compartilhem da responsabilidade em aplicar o desenvolvimento sustentável. Mas a mesma lei também inclui que a responsabilização seja compartilhada entre fabricantes, comerciantes e consumidores.
Pareceria uma lógica muito simples pensar que é obrigação apenas de uma administração pública aplicar políticas sustentáveis.
Mas nós, cidadãos, também temos responsabilidade sobre o futuro do mundo e devemos agir.

 

*Advogado e Escotista