Opinião: Testes em animais e quimioterapia

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Em mais de uma década praticando ao máximo possível, elucidando e estudando o veganismo¹, e sendo ativista dos direitos dos animais não-humanos, eu me pego em um momento frágil. E isso não se deve apenas à crise ética e moral em que nos encontramos, seja na política, na educação ou na desvalorização da vida humana e retrocesso dos direitos dos sujeitos em geral. Afinal, estamos todos tão cansados. Conversando com amigos há dois anos, nos pareciam tão auspiciosos tempos e demos salves à geração de adolescentes pensadores que estávamos vendo surgir. Minhas primas mais jovens me enchem de orgulho, as peguei no colo e é interessante como muitas vezes elas são as mais conscientes, abertas às revoluções culturais, em assuntos polêmicos junto aos adultos. Isso segue, apesar de alguns tropeços do coletivo. Tenho certeza de que verei este mesmo engajamento em minhas sobrinhas.

Longe da perfeição, eu me deparo com uma quimioterapia, que de vegano nada tem, pois os remédios quase em sua maioria são testados em animais. Infelizmente, os imensos avanços no âmbito da pesquisa científica no que se refere a métodos substitutivos² não podem me (nos) ajudar imediatamente em função do baixo interesse da indústria e máfia farmacêutica e demais detentores do poder.

Sobre a pútrida prática dos testes, conforme reproduziu o site Carta Forense, para esclarecimento “Na Constituição Federal, promulgada em 5 de outubro de 1998, em seu art. 225, ‘caput’, estabelece-se que: “Todos têm direito ao meio ambiente ecologicamente equilibrado, bem de uso comum do povo e essencial à sadia qualidade de vida, impondo-se ao Poder Público e à coletividade o dever de defendê-lo e preservá-lo para as presentes e futuras gerações”. Para essa tarefa, incumbe ao Poder Público, dentre outras providências, parágrafo 1º, VII: “proteger a fauna e a flora, vedadas, na forma da lei, as práticas que coloquem em risco sua função ecológica, provoquem a extinção de espécies ou submetam os animais a crueldade”.

Frente a estas questões liberais diante da atrocidade não-constitucionalizada, eu peço desculpas… E reafirmo que esse sentimento de justiça e equilíbrio entre as espécies continuarão sendo pauta em minha vida, mesmo que cada vez mais distantes da prática – agora ignorando o aumento de mercados livres de produtos oriundos da exploração animal (para mim, comparado ao período do abolicionismo e demais movimentos libertadores da história da humanidade) -, uma vez que o respeito entre as pessoas vem se dissipando pelo egoísmo, pela briga pelo poder. E isso me faz pensar novamente no dinheiro, que tudo move e tudo pode, e que articula a indústria da carne e seus derivados. Estamos falando de bilhões. O que é ética? Quanto vale uma vida?

Thomas Edison disse: “A não-violência leva-nos aos mais altos conceitos de ética, o objetivo de toda evolução. Até pararmos de prejudicar todos os outros seres do planeta, nós continuaremos selvagens”.

Leonardo da Vinci disse: “Haverá um tempo em que os seres humanos se contentarão com uma alimentação vegetariana e julgarão a matança de um animal inocente da mesma forma como hoje se julga o assassino de um homem”.

Independente dos tratamentos médicos, é bom esclarecer que ser um vegano pleno é quase impossível enquanto urbanos e necessitados dos subsídios da vida moderna. Estamos buscando métodos e batalhando dentro do possível para a evolução do planeta. Não somos poucos e não somos fracos.

¹Veganismo é uma filosofia e estilo de vida que busca excluir, na medida do possível e praticável, todas as formas de exploração e crueldade contra animais na alimentação, vestuário e qualquer outra finalidade; e por extensão, que promova o desenvolvimento e uso de alternativas livres de origem animal para benefício de humanos, animais e meio ambiente.

² Recursos educacionais ou abordagens educativas que substituam o uso de animais ou complementem práticas humanitárias de ensino. http://www.instituto1r.org/#!metodos-ensino/c1r42

 

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