Quem irá gerir o Hospital de Pronto Socorro de Canoas?

Monique Mendes OT - Pronto socorro 2017 (2)

A situação que já parecia definida durante a semana passada, e que obteve destaque na última edição de O Timoneiro, ganhou tons de impasse graças a um novo posicionamento da Prefeitura de Canoas. Até então, com o anúncio da saída do Grupo de Apoio à Medicina Preventiva e à Saúde Pública (Gamp) da gestão do HPS e de duas UPAs, a administração municipal havia afirmado que o Instituto de Saúde e Educação Vida (Isev), classificado em segundo lugar na licitação realizada em 2016 e alvo de diversas críticas por problemas em outras cidades, assumiria a gestão das unidades. Já agora, a Prefeitura diz que “ainda não há definição sobre a nova gestão”.

Simers

O impasse preocupa as classes sindicais que já apontavam os problemas na gestão do HPS. O Sindicato Médico do Rio Grande do Sul (Simers) se posicionou de imediato contra a possibilidade de posse do Instituto de Saúde e Educação Vida (Isev). “Esta outra empresa é muito problemática. Continuamos com uma visão bastante crítica sobre o que está ocorrendo”, afirma a vice-presidente da entidade, Maria Rita de Assis Brasil. A sindicalista destaca que o hospital, sendo de pronto socorro, precisa ter muita agilidade no atendimento, assim como equipamentos e medicamentos em condições para atender a alta demanda do local. Para ela, tais condições podem ser comprometidas diante da atual indefinição. Maria também conta que os médicos realizaram avaliação em assembleia geral, onde se posicionaram de forma temerária com relação ao Isev. “Nos preocupa que isso gere mais problemas ao cidadão. Não existe possibilidade pior do que essa empresa. O caminho mais adequado seria a realização de uma nova licitação”, completa Maria Rita.

Sindisaúde

O Sindicato dos Profissionais de Enfermagem, Técnicos, Duchistas, Massagistas e Empregados em Hospitais e Casas de Saúde do Estado do Rio Grande do Sul (Sindisaúde – RS) também critica o atual momento. “Para nós, a situação é lamentável, mesmo a Prefeitura tendo obrigação legal, não se deve chamar o Isev. Ela tem um histórico negativo em todo lugar que passa”, diz o presidente do sindicato, Arlindo Ritter. Ele defende um novo processo de licitação e afirma que a situação pode se agravar no hospital se o Isev assumir a gestão. Arlindo também critica a atuação da Comissão de Saúde, Educação e Cultura da Câmara de Vereadores de Canoas: “Eles não se manifestam, não se posicionam, já falamos com eles e pedimos uma atitude, mas até agora nada”. A reportagem tentou contato com o presidente da comissão, vereador Alexandre Gonçalves (PPS), mas até o fechamento da edição não obteve resposta.

Prefeitura

Segundo a Prefeitura de Canoas, ainda não há definição sobre a nova gestão do Hospital de Pronto Socorro (HPS) e das UPAs Rio Branco e Caçapava. A Prefeitura afirma o processo está na fase de verificação de habilitação para a prestação do serviço, com análise de documentação.