Venezuelanos chegam com esperança de um futuro melhor

Esperança e trabalho são as palavras mais repetidas pelos refugiados que chegam à cidade desde a quarta-feira, 12 de setembro. De onde eles vêm, na Venezuela, essas perspectivas estão escassas. O primeiro grupo, de 201 pessoas, desembarcou no Aeroporto Salgado Filho, em Porto Alegre, e foi conduzido ao alojamento localizado nas proximidades da Ulbra Canoas.

Carlos Morocoima, 25 anos, chegou ao Brasil através de Roraima, com a esposa Carla Dominguez e o filho Carlos, de 3 anos. Ele afirma que seu trabalho na Venezuela quase não era suficiente para comprar comida: “A situação do meu país é muito difícil. Quero agora trabalhar e começar uma nova vida. Tenho a esperança de crescer aqui. É uma oportunidade muito boa, eu não vou desperdiçar”.

Quem também chegou pronto para o mercado de trabalho é Raul Serrano. Ele diz que faz de tudo um pouco. Trabalhava como atendente em fruteira, fazia serviços de sapateiro, entre outras atividades autônomas, mas que não eram suficientes para a subsistência. “Não dava nem para comprar comida. Por isso estou tão feliz de estar aqui. Fui mais bem tratado do que no meu país”.

Eles fazem parte do primeiro grupo de refugiados. Ao todo, foram 65 crianças, entre 14 dias e 12 anos; 13 adolescentes de 13 a 18 anos; 56 homens de 19 a 53 anos e 67 mulheres entre 19 a 57 anos, totalizando 201 pessoas. Ao todo, a previsão é de que Canoas receba 425 refugiados.

Alojamentos

Os alojamentos foram escolhidos pelo Alto Comissariado das Nações Unidas para Refugiados (Acnur), que pagará os alugueis. No acolhimento, a rede de voluntários cadastrada pela Secretaria Municipal do Desenvolvimento Social (SMDS) organizou a refeição dos venezuelanos. A Defesa Civil entregou bolachas e pirulitos para as crianças, além de agasalhos. Novos voluntários estão sendo recrutados para auxiliar na adaptação dos refugiados e também estão sendo providenciadas oficinas de língua portuguesa.

“Percebe-se na emoção dessas pessoas o quanto esse momento é especial. A coragem deles em deixar para trás suas vidas, suas casas, seus amigos e familiares precisa ser destacada”, ressalta o prefeito Busato (PTB). A vice-prefeita, Gisele Uequed (Rede), destacou o movimento na cidade para ajudar os recém-chegados: “O engajamento da sociedade canoense está muito forte. Notamos essa solidariedade com os venezuelanos”.

A secretária da SMDS, Luísa Camargo, falou sobre a recepção: “Recebemos crianças, gestantes, idosos, pais e mães de família em busca de um recomeço. Nós estamos trabalhando para que estas pessoas possam se inserir na sociedade e consigam buscar oportunidades de emprego, de geração de renda. Queremos que elas se sintam parte do sistema.”, comenta Luísa.

Verba

A destinação de verbas pelo Alto Comissariado das Nações Unidas para Refugiados (Acnur) vai custear a estadia dos venezuelanos. As Forças Armadas do Brasil darão apoio no fornecimento de alimentos. Inicialmente, Canoas recebe R$ 1,02 milhão do Governo Federal para custear as necessidades emergenciais dos imigrantes. O contrato tem duração de seis meses, mas na hipótese deste período não ser suficiente para a integração dos venezuelanos no país, o convênio poderá ser prorrogado.